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Esportes

Influenciadores provocam reclamações de tenistas por barulho e flashes durante o US Open

Influenciadores credenciados no US Open irritam tenistas com barulho, flashes e movimentação nas arquibancadas durante as partidas.

Por Redação Auri VerdePublicado em 04 de setembro de 2026Atualizado em 04 de setembro de 2026

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Influenciadores provocam reclamações de tenistas por barulho e flashes durante o US Open

A presença cada vez maior de influenciadores e convidados VIP no US Open tem provocado críticas de alguns dos principais nomes do tênis. Durante a primeira semana do Grand Slam, episódios de conversas, movimentação nas arquibancadas e até sessões de fotos com luzes artificiais chegaram a atrapalhar partidas.

Um dos casos mais comentados aconteceu na estreia de Naomi Osaka, na terça-feira (1º). A bicampeã do torneio estava prestes a sacar em um momento decisivo da partida contra Anastasia Zakharova quando uma sessão de fotos realizada por influenciadores em um dos camarotes de luxo do Estádio Arthur Ashe chamou a atenção.

As luzes portáteis utilizadas pelo grupo fizeram com que a árbitra de cadeira interrompesse o jogo até que os convidados voltassem aos seus lugares.

Dois dias depois, Osaka se manifestou sobre o episódio e defendeu que pessoas que frequentam eventos esportivos precisam conhecer e respeitar as regras de comportamento.

“Se você vai a um evento esportivo, deve respeitar o esporte. E considero que é uma questão de cortesia básica se informar, especialmente no que diz respeito à etiqueta. Acho ótimo que as pessoas contribuam para popularizar o tênis para seu público específico, mas acho que a situação precisa ser gerida muito melhor, sobretudo em partidas de primeira rodada”, afirmou a japonesa.

A reclamação também ganhou força com Jessica Pegula. A americana, atual terceira colocada do ranking da WTA e ainda na disputa pelo topo da classificação após o torneio, considerou desrespeitosa a postura de parte dos criadores de conteúdo.

“Tem gente lá embaixo tentando competir; é a carreira e o trabalho deles. Acho um pouco desrespeitoso. Tenho a sensação de que este ano a coisa fugiu um pouco do controle”, disse.

Pegula também destacou que o Estádio Arthur Ashe é um ambiente no qual qualquer ruído pode ser percebido pelos jogadores.

“Mesmo quando parece haver silêncio, sempre há um murmúrio, pessoas falando, comendo, rindo e expressando todo tipo de emoções. Você realmente precisa se esforçar para se isolar na sua própria bolha”, explicou.

A presença dos influenciadores aumentou significativamente nesta edição do US Open. O torneio credenciou mais de 100 criadores de conteúdo, número superior ao dobro do registrado no ano passado. Segundo Brendan McIntyre, chefe de comunicação do evento, a tendência é que essa quantidade continue crescendo nos próximos anos.

A estratégia faz parte do esforço para aproximar o tênis de novos públicos. Desde 2024, o US Open também permite que os espectadores circulem durante os pontos, algo que rompe com a tradição do esporte, em que normalmente o público deve aguardar as trocas de lado ou os intervalos entre os sets para se movimentar ou conversar.

Em declaração ao jornal inglês Daily Mail, McIntyre afirmou que a Associação de Tênis dos Estados Unidos busca ampliar o alcance da modalidade no país, mas ressaltou que o comportamento dos espectadores não pode interferir nas partidas.

Outro jogador a reclamar das condições encontradas no torneio foi o francês Adrian Mannarino. Eliminado na primeira rodada por Alexander Bublik, ele criticou tanto a movimentação do público quanto o cheiro de maconha dentro da quadra, problema que, segundo ele, tem se tornado recorrente no US Open.

“Tem cheiro de maconha na quadra, está se transformando em um zoológico. São condições realmente incomuns. As pessoas entram como bem entendem, se mexem, falam... O torneio tolera isso, não sei se é o melhor para os jogadores e para o esporte em geral”, afirmou.

Mannarino acrescentou que existem várias regras do tênis que poderiam ser modificadas, mas não considera que a flexibilização do comportamento do público seja uma delas.

Diante da sequência de reclamações, a organização do US Open decidiu reforçar as orientações aos espectadores. Novas placas foram instaladas no complexo e mensagens foram encaminhadas diretamente a pessoas com ingressos e acesso aos camarotes.

Os avisos reforçam que flashes, luzes artificiais e ruídos excessivos são proibidos durante os pontos.

A tentativa de aproximar o torneio de influenciadores e de novos públicos, portanto, passou a enfrentar um desafio: encontrar o equilíbrio entre tornar o US Open mais acessível e preservar as condições necessárias para que os atletas possam competir sem distrações.

📷KENA BETANCUR / AFP

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