A proteção de Leila do Vôlei a Lulinha
Por Deborah SenaColunistaPublicado em 02/10/2026, 11:39Atualizado em 02/10/2026, 11:39

A senadora Leila Barros (PDT-DF), conhecida como Leila do Vôlei, mostrou na CPMI do INSS que há investigações que os governistas querem ver avançar — e outras que encontram resistência quando começam a se aproximar do Palácio do Planalto.
Leila participou ativamente dos trabalhos da comissão. Apresentou requerimentos, pediu informações e defendeu a convocação de personagens relacionados às apurações. Em agosto de 2025, por exemplo, apresentou requerimento para convocar o ex-ministro Onyx Lorenzoni. Em setembro, pediu a convocação de Adelson Ferreira da Silva, presidente de uma entidade ligada a beneficiários do INSS.
A disposição investigativa encontrou um limite quando apareceu o nome de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Em 4 de dezembro de 2025, a CPMI analisou o requerimento apresentado pelo deputado Marcel van Hattem para convocar o filho do presidente Lula. A votação terminou em 19 votos contra e 12 a favor.
Leila votou contra.
Naquele momento, o nome de Lulinha já havia entrado no centro da disputa política da CPMI. Parlamentares da oposição citavam o depoimento de Edson Claro, ex-funcionário de Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, e defendiam que o filho do presidente fosse chamado para explicar as informações levadas à Polícia Federal.
A base governista fez o movimento contrário. O líder do governo na CPMI, Paulo Pimenta, sustentou que não havia elementos que justificassem a convocação.
Leila ficou com o governo.
Uma CPMI existe justamente para ouvir personagens capazes de esclarecer os fatos sob investigação. E foi essa possibilidade que o voto de Leila ajudou a impedir naquele momento. Quando a cadeira reservada ao depoente poderia ser ocupada pelo filho de Lula, porém, ajudou a mantê-la vazia.
Há ainda um detalhe político importante. Leila integrava na comissão o Bloco Parlamentar Pelo Brasil, formado por PDT e PT. Seu voto não ficou isolado: acompanhou a posição defendida pela base governista numa das votações mais delicadas da CPMI.
A oposição chamou o movimento de blindagem. O governo argumentou que faltavam elementos para convocar Lulinha.
O painel eletrônico, menos dado a discursos, registrou apenas o resultado: 19 a 12.
E, entre os 19 votos que impediram Lulinha de prestar esclarecimentos à CPMI do INSS, estava o de Leila do Vôlei.
No Congresso, proteção política nem sempre precisa de grandes discursos.
Às vezes, basta apertar o botão certo.
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