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Brasil

AGENDA DE PRIORIDADES 2027 - Cinco Medidas Urgentes para Estabilizar o Agronegócio Brasileiro

Celso Ricardo

Por Celso RicardoColunistaPublicado em 16/10/2026, 14:59Atualizado em 16/10/2026, 14:59

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AGENDA DE PRIORIDADES 2027 - Cinco Medidas Urgentes para Estabilizar o Agronegócio Brasileiro

AGENDA DE PRIORIDADES 2027

Cinco Medidas Urgentes para Estabilizar o Agronegócio Brasileiro

Proposta de prioridades para o primeiro ano do próximo Governo Federal

Autoria: Celso Ricardo Ferreira | Consultor em Gestão Estratégica em Agronegócio

Outubro de 2026

1. Finalidade e princípio orientador

Apresentar uma agenda executiva de emergência para 2027, voltada a interromper o agravamento do endividamento rural, recuperar o acesso sustentável ao crédito e restabelecer a viabilidade econômica e financeira das propriedades. O primeiro ano deve ser dedicado à estabilização; os anos seguintes, à capitalização, à agregação de valor e ao crescimento sustentável.

Princípio central: produção elevada não é sinônimo de rentabilidade. O desempenho do agronegócio deve ser medido também por margem, geração de caixa, capacidade de pagamento, retorno sobre o capital e evolução patrimonial do produtor.

2. As cinco prioridades emergenciais

PRIORIDADE 1 — Recuperação financeira e reestruturação do endividamento

Instituir um Programa Nacional de Recuperação Financeira do Produtor Rural, com diagnóstico individualizado das obrigações bancárias e não bancárias (inclusive CPRs, cooperativas e fornecedores), classificação da capacidade de recuperação e planos de reestruturação compatíveis com o fluxo de caixa.

Medidas imediatas: protocolo nacional de diagnóstico; negociação coordenada com credores; prazos e carências tecnicamente justificados, inclusive até cinco anos quando necessários e viáveis; preservação do custeio da atividade recuperável; acompanhamento periódico.

Entrega de 2027: carteira de produtores diagnosticados e planos formalizados, com metas de redução da inadimplência e retomada operacional.

PRIORIDADE 2 — Crédito rural acessível, com gestão de risco

Reorganizar o financiamento para que o produtor recuperável tenha capital de giro para a nova safra sem carregar, no mesmo fluxo, o peso integral dos passivos anteriores.

Medidas imediatas: separar crédito de custeio da reestruturação de dívidas; criar mecanismos de garantias e compartilhamento de risco; simplificar procedimentos; estabelecer condições vinculadas à capacidade de pagamento; mobilizar cooperativas, bancos públicos e privados.

Entrega de 2027: maior proporção de produtores recuperáveis com custeio aprovado e menor comprometimento da receita com serviço da dívida.

PRIORIDADE 3 — Gestão econômica e financeira dentro da porteira

Implantar um Programa Nacional de Eficiência Econômica e Financeira por Propriedade Rural, substituindo a avaliação baseada exclusivamente em produtividade física por gestão de resultado.

Medidas imediatas: diagnóstico de custo total, margem, fluxo de caixa e rentabilidade; assistência técnica gerencial; orçamento por atividade; indicadores de retorno sobre capital e patrimônio; orientação de investimento e comercialização.

Entrega de 2027: rede-piloto de propriedades monitoradas e painel de indicadores para identificar riscos antes de novas crises.

PRIORIDADE 4 — Seguro rural e proteção da renda

Construir proteção efetiva contra perdas climáticas e choques de receita, reduzindo a reincidência do endividamento após cada safra adversa.

Medidas imediatas: previsibilidade plurianual da subvenção dentro de parâmetros fiscais; expansão focalizada da cobertura; melhoria da regulação de sinistros; integração entre seguro, crédito, instrumentos de preço e proteção de receita.

Entrega de 2027: metas públicas de cobertura, tempo de indenização e redução da exposição financeira não segurada.

PRIORIDADE 5 — Custos, tributação e competitividade do produtor

Enfrentar os custos estruturais que comprimem a margem, incluindo distorções tributárias, logística deficiente, armazenagem insuficiente e assimetrias de comercialização.

Medidas imediatas: revisar cumulatividade e entraves à recuperação de créditos tributários aplicáveis; simplificar obrigações; priorizar infraestrutura e armazenagem; fortalecer inteligência comercial, cooperativismo, industrialização e agregação de valor no país.

Entrega de 2027: plano regulatório e tributário com prioridades, responsáveis e indicadores de redução de custos e melhoria da margem líquida.

3. Cronograma de execução no primeiro ano

Prazo

Marco de implementação

0–100 dias

Instalar governança interministerial; iniciar diagnóstico de dívidas; pactuar critérios de recuperação e crédito emergencial.

Até 180 dias

Formalizar primeiras reestruturações; operar garantias e custeio; iniciar programa de gestão por propriedade.

Até 270 dias

Expandir instrumentos de seguro e proteção de receita; apresentar medidas tributárias e logísticas prioritárias.

Até 365 dias

Publicar resultados auditáveis: renegociações, acesso ao crédito, inadimplência, margem, caixa e cobertura de riscos.

4. Condições para a viabilidade da agenda

A implementação exige coordenação entre Presidência, Ministério da Agricultura, Fazenda, Planejamento, Banco Central/CMN, Congresso, agentes financeiros e representações dos produtores. Medidas com custo fiscal devem ter estimativa de impacto, fonte de financiamento e critérios transparentes; parte relevante da agenda depende de reorganização de garantias, regulação, gestão e investimentos privados. Carências e alongamentos não devem ser automáticos: precisam preservar a recuperabilidade e evitar novo endividamento improdutivo.

5. Indicadores para avaliar o sucesso em 2027

Percentual de produtores diagnosticados; proporção de dívidas reestruturadas com sustentabilidade financeira; taxa de acesso ao custeio entre produtores recuperáveis; serviço da dívida/receita; margem operacional; fluxo de caixa disponível; cobertura securitária; tempo de indenização; evolução do capital de giro e do patrimônio líquido.

6. Diretriz estratégica para os anos seguintes

Concluída a fase emergencial, propõe-se um novo modelo nacional de gestão do agronegócio orientado à eficiência financeira do produtor rural, à inteligência de mercado, à agregação de valor, à proteção de riscos e à capitalização das propriedades. O objetivo não é apenas financiar a próxima safra, mas reduzir a necessidade de sucessivas renegociações.

A meta não é apenas salvar a próxima safra. É criar condições para que o produtor rural não precise ser salvo novamente na safra seguinte.

Celso Ricardo Ferreira

Consultor em Gestão Estratégica em Agronegócio

Autor da proposta | Outubro de 2026

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