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Brasil

AGRONEGÓCIO 2027–2030: O RISCO NÃO É MAIS PERDER A RENTABILIDADE, É PERDER A PROPRIEDADE E SER EXPULSO DA ATIVIDADE RURAL!

Celso Ricardo

Por Celso RicardoColunistaPublicado em 28/10/2026, 08:20Atualizado em 28/10/2026, 08:20

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AGRONEGÓCIO 2027–2030: O RISCO NÃO É MAIS PERDER A RENTABILIDADE, É PERDER A PROPRIEDADE E SER EXPULSO DA ATIVIDADE RURAL!

AGRONEGÓCIO 2027–2030: O RISCO NÃO É MAIS PERDER A RENTABILIDADE, É PERDER A PROPRIEDADE E SER EXPULSO DA ATIVIDADE RURAL!

O agronegócio brasileiro está diante de uma das mais preocupantes ameaças à sua sustentabilidade econômica e financeira. O que está em jogo nos próximos quatro anos não é simplesmente a redução das margens de lucro, mas a possibilidade de milhares de produtores rurais perderem sua capacidade de pagamento, comprometerem seu patrimônio e serem obrigados a abandonar definitivamente a atividade.

O Brasil corre o risco de continuar produzindo riqueza enquanto destrói a capacidade financeira de quem sustenta a produção.

A deterioração das condições econômicas nacionais, o elevado endividamento das famílias, os juros restritivos, a pressão inflacionária, o crescimento das despesas públicas e as limitações fiscais do governo formam uma combinação extremamente perigosa para o setor produtivo.

E existe uma realidade que precisa ser enfrentada: não há como sustentar uma política agrícola financeiramente eficiente quando a própria política econômica compromete as condições necessárias para financiar a produção.

O produtor rural poderá enfrentar, entre 2027 e 2030, um cenário ainda mais severo de restrição de crédito, encarecimento dos financiamentos, exigências bancárias mais rigorosas e dificuldades crescentes para financiar o custeio, os investimentos e a continuidade das atividades.

O crédito rural, que deveria representar um instrumento de desenvolvimento, corre o risco de se transformar em um mecanismo cada vez mais inacessível justamente para aqueles que mais precisam de recuperação financeira.

E aqui está uma das maiores ameaças: o produtor rural poderá ter terra, máquinas, rebanho e capacidade produtiva, mas não possuir condições financeiras para continuar trabalhando.

O endividamento rural representa outra situação extremamente preocupante. Renegociar dívidas sem recuperar a capacidade econômica de pagamento não resolve o problema. Apenas transfere obrigações para o futuro, acumula encargos financeiros e aumenta a exposição patrimonial do produtor.

Se não houver mecanismos efetivos de recuperação financeira, com prazos compatíveis, juros sustentáveis e reestruturação das obrigações, o que hoje representa dificuldade de pagamento poderá evoluir para inadimplência, execução de garantias, venda forçada de ativos e perda de propriedades.

Estamos falando do risco de transformar produtores economicamente fragilizados em produtores definitivamente excluídos da atividade rural.

O seguro rural também poderá representar uma das maiores vulnerabilidades desse período. Com restrições orçamentárias e insuficiência de recursos para ampliar a cobertura, milhares de propriedades poderão continuar expostas a perdas climáticas sem proteção financeira adequada.

Uma única frustração de safra, somada ao endividamento acumulado e à ausência de capital de giro, poderá ser suficiente para comprometer a continuidade de uma atividade construída durante décadas.

Enquanto isso, a pressão sobre combustíveis, fertilizantes, energia, transporte, mão de obra e demais componentes dos custos de produção poderá reduzir ainda mais a capacidade de geração de resultados econômicos.

E não podemos ignorar a deterioração da capacidade de consumo das famílias brasileiras. Uma economia com elevado endividamento familiar, crédito caro e renda comprometida enfrenta dificuldades para sustentar a expansão do consumo, criando riscos adicionais para as cadeias produtivas dependentes do mercado interno.

O problema não será apenas produzir com custos elevados. Será produzir sem a segurança de que a receita obtida será suficiente para pagar as despesas, honrar os financiamentos e garantir o próximo ciclo produtivo.

A situação fiscal brasileira torna esse cenário ainda mais preocupante. Um governo pressionado pelo crescimento da dívida pública, pelo custo dos juros e pela rigidez das despesas enfrenta limitações concretas para ampliar subsídios, equalizar taxas de financiamento, fortalecer o seguro rural e implementar programas abrangentes de recuperação econômica dos produtores.

Anunciar bilhões em crédito rural não significa garantir acesso ao financiamento. Divulgar programas de renegociação não significa recuperar a capacidade de pagamento. Comemorar recordes de produção e exportação não significa assegurar rentabilidade ao produtor.

O Brasil precisa compreender que o agronegócio pode apresentar resultados expressivos em produção e exportações enquanto parte de sua base produtiva enfrenta um processo silencioso de descapitalização.

Essa é a contradição que precisa ser enfrentada com urgência.

O período de 2027 a 2030 poderá representar uma fase crítica para a permanência de milhares de produtores rurais na atividade, caso o país não consiga restabelecer condições de estabilidade econômica, financiamento sustentável, proteção contra riscos e recuperação efetiva das propriedades endividadas.

Não se trata de afirmar que todas as propriedades enfrentarão insolvência, mas de reconhecer que a combinação de juros elevados, margens comprimidas, dívidas acumuladas e insuficiência de proteção financeira pode tornar economicamente inviáveis atividades que continuam sendo produtivas.

O ALERTA É GRAVE: O PRODUTOR RURAL PODE CHEGAR AO PONTO DE NÃO PERDER APENAS O LUCRO, MAS O CAPITAL INVESTIDO, A CAPACIDADE DE PRODUZIR E O PATRIMÔNIO CONSTRUÍDO DURANTE TODA UMA VIDA.

O futuro do agronegócio brasileiro não pode continuar sendo medido exclusivamente por toneladas produzidas, recordes de safra e bilhões exportados.

A verdadeira medida de desenvolvimento precisa ser a capacidade de gerar lucro líquido, preservar patrimônio, pagar dívidas, investir e assegurar a continuidade econômica das propriedades rurais.

Porque o maior fracasso de uma política agrícola não será deixar de alcançar um novo recorde de produção. Será permitir que o país continue batendo recordes enquanto seus produtores perdem as condições financeiras de permanecer no campo.

E A PERGUNTA QUE O BRASIL PRECISA RESPONDER É UMA SÓ: QUANTOS PRODUTORES RURAIS TERÃO CONDIÇÕES ECONÔMICAS E FINANCEIRAS DE CONTINUAR PRODUZINDO ATÉ 2030?

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