Alcolumbre articula saída de Moraes do STF para reabrir diálogo com a oposição
Por Deborah SenaColunistaPublicado em 20/10/2026, 22:36Atualizado em 20/10/2026, 22:36

De olho na disputa pelo comando do Senado em 2027, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), vê em uma possível saída negociada, ainda neste ano, do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), uma alternativa para reabrir o diálogo com a oposição. A movimentação ganha força diante da perspectiva de uma candidatura do senador Rogério Marinho (PL-RN) à presidência do Senado, cenário que preocupa Alcolumbre e ameaça sua influência sobre a sucessão na Casa.
A articulação serve aos interesses de Alcolumbre na aproximação com parlamentares da direita, com quem acumula desgastes pela resistência em dar andamento aos pedidos de afastamento de ministros da Corte. O presidente do Senado ainda mantém entre suas prioridades a tentativa de emplacar o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), seu aliado e antecessor no comando da Casa, em uma vaga de ministro do STF.
Outra frente da articulação envolve os ministros Gilmar Mendes e Flávio Dino, do STF. Alcolumbre busca preservar, por meio desses magistrados, a interlocução e o respaldo político-institucional que associa à sua relação com Moraes. A existência de um acordo para transferir uma suposta proteção entre ministros, contudo, ainda depende de confirmação.
Entre os nomes apontados como responsáveis por aproximar Alcolumbre de parlamentares da oposição, inclusive dos novos senadores eleitos, estão a senadora Tereza Cristina (PP-MS), o ministro da Educação, Camilo Santana (PT), e o senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP).
O negócio que Alcolumbre oferece a Lula
Alcolumbre também busca convencer o governo Lula de que a renúncia de Alexandre de Moraes representa um bom negócio para o Planalto. A saída do ministro abriria uma nova vaga no Supremo Tribunal Federal, com a possibilidade de o presidente petista ampliar sua influência na composição da Corte
Marinho alerta oposição contra acordo com Alcolumbre
Rogério Marinh, por sua vez, alerta aliados da oposição para os riscos de uma negociação com Davi Alcolumbre. Na avaliação do senador, a saída de Alexandre de Moraes do STF não precisa passar por um acordo com o presidente do Senado. A estratégia é aguardar o início de 2027, quando os novos parlamentares tomam posse. Uma renúncia ainda neste ano, argumenta Marinho, daria a Lula a oportunidade de indicar mais um ministro ao Supremo. O que Alcolumbre apresenta como solução para a crise institucional, portanto, é visto por Marinho como uma concessão desnecessária ao governo petista — e um movimento que favorece o próprio presidente do Senado na disputa pelo comando da Casa.
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