Marido da prefeita de Bauru é preso em operação do Gaeco; Prefeitura é alvo de buscas
Polícia na casa da prefeita e buscas na prefeitura
Por Welinton BarrosColunistaPublicado em 16/10/2026, 08:14Atualizado em 16/10/2026, 08:14

O secretário municipal de Governo de Bauru (SP), Renato Purini, marido da prefeita Suéllen Rosim (PSD), foi preso na manhã desta sexta-feira (16) em operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, com apoio da Polícia Militar. Agentes cumprem mandados de busca na residência da prefeita e no prédio da Prefeitura.
A ação é um desdobramento da Operação Cavalo de Troia, que já havia levado à prisão de ex-secretários ligados à administração municipal. Em nota oficial, a Prefeitura confirmou a operação nas dependências do Executivo, mas disse não ter tido acesso aos detalhes do inquérito. “Até o momento, o Município não foi oficialmente informado sobre o objeto da ação. A Prefeitura permanece à disposição das autoridades competentes para colaborar com o que for necessário e prestar os esclarecimentos eventualmente solicitados”, diz o comunicado.
O Gaeco começou a investigar em março, após denúncias de ameaças contra catadores da Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis (Ascam), que mantinha contratos de mais de R$ 5 milhões com a Prefeitura, com dispensa de licitação. Segundo as apurações, Valdomiro Pereira da Silva Filho, marido da então presidente da entidade, Gisele Moretti, tinha ligação com uma facção criminosa e usava a influência para intimidar os trabalhadores. Com o monitoramento das ligações dele e da esposa, o Ministério Público descobriu que o casal também articulava pedidos de propina e interferência na licitação da gestão do lixo. As interceptações revelaram ainda a participação de secretários municipais e executivos de empresas, e levaram o Gaeco, apoiado pela PM, a deflagrar duas operações paralelas.
Elas cumpriram mandados de busca e apreensão e resultaram na prisão temporária de sete pessoas: as ex-secretárias Cilene Chabuh Bordezan (Meio Ambiente) e Sara Moura de Jesus (adjunta de Meio Ambiente), o ex-secretário de Negócios Jurídicos Vitor João de Freitas Costa, Hamilton Libório Agle, proprietário e CEO da Estre Ambiental, Talita de Andrade Soares Chieregatti, funcionária da empresa, Gisele Moretti e o marido dela, o empresário Valdomiro. A Cavalo de Troia apura fraude na licitação da concessão do sistema de gestão de resíduos sólidos urbanos de Bauru, prevista para durar 30 anos e avaliada em R$ 5,2 bilhões, o maior contrato da história do município. Segundo a apuração, o grupo direcionava as regras do edital em favor da Estre por meio de pessoas infiltradas na administração. O Ministério Público afirma que a então secretária Cilene Bordezan tinha relacionamento amoroso com Agle, o que permitia à concessionária elaborar documentos e pareceres oficiais de dentro do governo.
Talita Andrade, acusada de integrar a organização criminosa montada para fraudar a concessão do lixo, deixou a penitenciária feminina Sant´Ana em 7 de outubro, por decisão da Justiça, e cumpre prisão domiciliar. A mudança foi comunicada na quinta-feira (15) pela Secretaria da Administração Penitenciária (SAP). Ela fora transferida para a unidade no fim de setembro, quando a prisão foi convertida em preventiva. A defesa já pedia a domiciliar por causa de uma doença da acusada e também pelo sofrimento da filha.
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