CNI considera injustificável manutenção da Selic em 13,75%
Confederação classifica decisão do Copom como “equivocada e excessivamente conservadora” e aponta impactos dos juros elevados sobre crédito, investimentos e atividade econômica

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) criticou, nesta quarta-feira (4), a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa Selic em 13,75% ao ano. Em nota, a entidade classificou a medida como “equivocada e excessivamente conservadora” e defendeu que o Banco Central retome o ciclo de redução dos juros na reunião de dezembro.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que o patamar atual encarece o crédito, limita os investimentos e prejudica a atividade econômica. Embora reconheça a piora das expectativas de inflação após o segundo turno das eleições, a confederação argumenta que o IPCA permanece dentro do intervalo de tolerância da meta no horizonte relevante da política monetária, correspondente ao segundo trimestre de 2028. Para a entidade, seria possível reduzir os juros sem comprometer a estabilidade dos preços.
A CNI também apontou um desalinhamento entre as políticas fiscal e monetária. Entre os fatores citados estão o cumprimento da meta de resultado primário com auxílio de deduções legais, o crescimento da dívida pública, em grande parte indexada à Selic, e a percepção do mercado de que o risco fiscal é uma das principais ameaças à estabilidade econômica. Na avaliação da confederação, problemas de origem fiscal devem ser enfrentados com medidas fiscais, e não com a manutenção de juros elevados.
A entidade afirma que a política monetária restritiva, mantida há 58 meses, tem pressionado a atividade econômica. Na Sondagem Industrial de setembro, os estoques indesejados atingiram o maior nível desde outubro de 2023, enquanto a avaliação da margem de lucro chegou ao pior resultado desde a pandemia.
Diante desse cenário, a CNI defende que o Copom volte a reduzir a Selic em dezembro. Para a entidade, prolongar a restrição monetária transfere para empresas e famílias os custos de um ajuste que, em sua avaliação, deveria ser enfrentado principalmente pela política fiscal.
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