Alcaraz rejeita redução dos Grand Slams e defende tradição do melhor de cinco
Espanhol critica proposta de encurtar partidas nos quatro maiores torneios e afirma que mudança poderia comprometer o legado das competições; tenista também pede um calendário menos desgastante
Por Júlio CésarColunistaPublicado em 01/10/2026, 08:04Atualizado em 01/10/2026, 08:04

Foto: HENRY NICHOLLS / AFP
Carlos Alcaraz se posicionou contra a possibilidade de os Grand Slams abandonarem o formato de cinco sets. Para o espanhol, reduzir as partidas masculinas para melhor de três alteraria uma das principais características que diferenciam os quatro maiores torneios do tênis.
“Os Grand Slams são jogados em melhor de cinco. Se tirarmos isso e jogarmos em melhor de três, acho que estaríamos simplesmente matando o legado dos Grand Slams e matando os próprios Grand Slams”, afirmou Alcaraz em entrevista antes de sua estreia no ATP 500 de Tóquio.
Debate ganhou força após o US Open
A discussão sobre mudanças no formato dos Grand Slams ganhou força depois do US Open, em meio aos debates sobre o calendário excessivo do circuito, partidas que avançam pela madrugada e a necessidade de tornar os eventos mais atraentes comercialmente.
Andrew Abdo, presidente da Tennis Australia, entidade responsável pelo Australian Open, levantou a possibilidade de mudanças no formato e no sistema de pontuação. Segundo ele, dependendo das rodadas e da duração dos confrontos, os Grand Slams poderiam deixar de utilizar o melhor de cinco em toda a competição.
A manifestação provocou reação de torcedores e levou o Australian Open a esclarecer que, neste momento, o tradicional formato de cinco sets permanece.
Alcaraz quer mudanças, mas no calendário
Embora seja contrário à redução dos sets nos Grand Slams, Alcaraz concorda que o tênis precisa encontrar soluções para o desgaste provocado pela longa temporada. O espanhol defende uma diminuição na quantidade de torneios disputados em sequência.
“Jogar um pouco menos e não ter essa quantidade de torneios seguidos, semana após semana. Então eu mudaria isso, definitivamente mudaria”, declarou.
A preocupação ganhou ainda mais peso para o próprio Alcaraz após uma lesão no punho que o deixou afastado das quadras por quase cinco meses. De volta ao circuito, o atual número 3 do mundo afirmou que está evoluindo diariamente, mas ainda precisa acumular partidas para recuperar completamente o ritmo competitivo.
Retorno em Tóquio
Alcaraz estreia no ATP 500 de Tóquio nesta quinta-feira (1º), contra o americano Alex Michelsen, número 34 do mundo. O espanhol chega ao torneio como atual campeão e disputa sua terceira competição desde o retorno após o período de afastamento.
Para o tenista, portanto, o caminho para aliviar a carga dos atletas passa por rever o calendário, e não por modificar justamente o formato que considera parte essencial da identidade dos Grand Slams.
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