Alejandro Mancuso é acusado de vender licenças falsas para treinadores
Ex-jogador de Flamengo e Palmeiras e ex-auxiliar de Diego Maradona é apontado como responsável por esquema que teria oferecido diplomas da escola argentina ATFA a ex-atletas
Por Júlio CésarColunistaPublicado em 07/10/2026, 09:53Atualizado em 07/10/2026, 09:53

Foto: Divulgação
O ex-jogador argentino Alejandro Mancuso, que teve passagens por Palmeiras e Flamengo e foi auxiliar de Diego Maradona na seleção argentina, está no centro de uma investigação envolvendo a suposta venda de licenças falsas para treinadores de futebol.
Segundo investigação publicada pelo UOL, Mancuso teria oferecido a ex-jogadores brasileiros um chamado “trâmite urgente” para a obtenção de certificados da Associação de Técnicos de Futebol Argentino (ATFA), sem que os interessados precisassem cumprir a formação regular exigida pela entidade.
A promessa teria atraído nomes conhecidos do futebol sul-americano. Entre os jogadores citados estão Thiago Silva, Roberto Carlos, Felipe Melo, Luiz Gustavo, Diego Lugano, Alex de Souza, Petkovic e Paolo Guerrero. De acordo com a reportagem, o pacote com quatro licenças — C, B, A e PRO — poderia custar cerca de R$ 100 mil.
Quem é Alejandro Mancuso
Nascido em Ciudadela, na Grande Buenos Aires, em 1968, Mancuso iniciou a carreira profissional no Ferro Carril Oeste. Depois, destacou-se pelo Vélez Sarsfield e chegou ao Boca Juniors antes de se transferir para o futebol brasileiro.
No Palmeiras, atuou a partir de 1995 e ganhou destaque pela forte marcação e pelo estilo combativo. No ano seguinte, defendeu o Flamengo, onde jogou ao lado de Romário e conquistou o Campeonato Carioca de 1996 de forma invicta. Ele encerrou a carreira em 2000, depois de passagens por clubes da Espanha, Pernambuco e Uruguai.
Pela seleção argentina, Mancuso estreou em 1992, disputou a Copa do Mundo de 1994 e integrou o elenco campeão da Copa América de 1993. Um de seus momentos mais lembrados foi o gol no empate por 1 a 1 contra o Brasil, em 1993, no retorno de Maradona à seleção.
Relação com Maradona terminou em conflito
Depois de se aposentar dos gramados, Mancuso passou a trabalhar como empresário de jogadores. A proximidade com Diego Maradona o levou a integrar a comissão técnica da Argentina na Copa do Mundo de 2010, na África do Sul.
A relação entre os dois, porém, terminou de forma conturbada. Maradona acusou Mancuso de realizar negócios em seu nome e de falsificar sua assinatura em um contrato publicitário. O ex-jogador argentino negou as acusações e também fez críticas ao antigo amigo. Em 2019, a Suprema Corte argentina rejeitou um recurso apresentado por Maradona relacionado ao caso.
ATFA nega qualquer vínculo com Mancuso
A Associação de Técnicos de Futebol Argentino afirma que Mancuso nunca teve autorização para representar a entidade. Segundo a ATFA, ele não integra a diretoria, não ocupa cargo de autoridade e não possui vínculo contratual com a instituição.
A entidade também declarou que os certificados atribuídos a ela e negociados por Mancuso são falsos. Documentos analisados pela investigação apresentariam inconsistências, como erros de grafia, datas incompatíveis e problemas nos códigos de verificação.
A formação oficial da ATFA exige que os candidatos cumpram etapas de preparação e avaliação para avançar entre as diferentes categorias de licença. A condição de ex-jogador profissional, segundo a entidade, não permite simplesmente eliminar essas etapas.
Caso já foi investigado na Argentina
O episódio também foi levado à Justiça argentina. Em 2025, houve uma investigação sobre a suposta emissão irregular de diplomas e licenças para ex-jogadores estrangeiros.
Segundo a ATFA, uma busca realizada na sede da entidade não encontrou documentos que comprovassem a emissão irregular dos certificados. O Ministério Público argentino pediu o arquivamento do processo, e a Justiça Federal Criminal e Correcional encerrou o caso em dezembro de 2025 por inexistência de crime.
Apesar disso, a investigação jornalística aponta que Mancuso teria continuado oferecendo os documentos a jogadores e ex-jogadores interessados em iniciar carreira como treinadores.
Mancuso nega ter vendido diplomas falsos
Procurado pela reportagem, Alejandro Mancuso negou ter vendido licenças falsas ou recebido dinheiro dos jogadores. Ele afirmou que apenas teria ajudado atletas interessados a encontrar caminhos para obter a formação de treinador na Argentina.
A ATFA, porém, reforça que qualquer negociação, cobrança ou emissão de documentação feita por Mancuso em nome da instituição ocorreu sem autorização da associação.
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