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Esportes

Arrascaeta, Gustavo Gómez e outros: veja estrangeiros do futebol brasileiro que podem obter cidadania

Mudança nas regras para estrangeiros aumenta a importância da naturalização de jogadores que já vivem há anos no Brasil

Júlio César

Por Júlio CésarColunistaPublicado em 23/09/2026, 09:44Atualizado em 23/09/2026, 09:44

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Arrascaeta, Gustavo Gómez e outros: veja estrangeiros do futebol brasileiro que podem obter cidadania

A redução gradual do número de jogadores estrangeiros permitidos nos clubes brasileiros pode fazer com que a naturalização ganhe ainda mais espaço no futebol nacional. Atletas que vivem no país há vários anos podem solicitar a cidadania brasileira, desde que cumpram os requisitos previstos na legislação.

Entre os nomes que se enquadram nesse cenário estão jogadores importantes do Campeonato Brasileiro, como Gustavo Gómez, Piquerez, Flaco López, Villasanti e Germán Cano. O uruguaio Arrascaeta, do Flamengo, também está entre os casos de destaque e já iniciou o processo de naturalização.

O zagueiro Walter Kannemann, por exemplo, tornou-se brasileiro em 2026. Com a nova nacionalidade, deixou de ocupar uma das vagas destinadas a estrangeiros no elenco do Grêmio.

Arrascaeta já iniciou processo

Um dos casos mais conhecidos é o de Giorgian de Arrascaeta. O meia uruguaio está no futebol brasileiro desde 2015, quando foi contratado pelo Cruzeiro, e iniciou o processo de naturalização em 2023.

A permanência prolongada no país atende a um dos principais requisitos para a chamada naturalização ordinária. O processo, porém, não é automático: além do período de residência, o estrangeiro precisa cumprir outras exigências estabelecidas pelo governo brasileiro.

Quem pode solicitar a naturalização?

De acordo com o Ministério da Justiça, a naturalização ordinária exige, como regra geral, quatro anos de residência no Brasil por prazo indeterminado, além de capacidade civil, conhecimento suficiente da língua portuguesa e ausência de condenação penal ou reabilitação nos termos da legislação.

A contagem da residência também possui regras específicas. Viagens ao exterior não necessariamente interrompem o período, desde que a soma das ausências não ultrapasse 12 meses durante os quatro anos considerados.

Com base no tempo de permanência no futebol brasileiro, alguns estrangeiros que atualmente atuam na Série A já atingiram o período mínimo indicado para iniciar o processo.

Jogadores que podem solicitar a naturalização ordinária

  • Gustavo Gómez — Palmeiras — no Brasil desde agosto de 2018;

  • Piquerez — Palmeiras — no Brasil desde julho de 2021;

  • Flaco López — Palmeiras — no Brasil desde junho de 2022;

  • Villasanti — Grêmio — no Brasil desde agosto de 2021;

  • Germán Cano — Fluminense — no Brasil desde janeiro de 2020;

  • Soteldo — Fluminense — no Brasil desde agosto de 2022, na atual passagem;

  • Calleri — São Paulo — no Brasil desde agosto de 2021, na atual passagem;

  • Emmanuel Martínez — Vitória — no Brasil desde agosto de 2022.

A lista considera o tempo de residência no país, mas não significa que todos esses jogadores já tenham iniciado um processo de naturalização. A possibilidade de solicitar a cidadania e a efetiva obtenção da nacionalidade são etapas diferentes.

O que é necessário?

O pedido de naturalização é feito pelo próprio interessado e envolve a apresentação de documentos às autoridades brasileiras. Entre os documentos exigidos estão registro migratório, CPF, certidões de antecedentes criminais, comprovantes de residência e documentação que demonstre a capacidade de comunicação em português.

A residência também precisa estar devidamente comprovada. O Ministério da Justiça informa que, para o requisito de quatro anos, é considerado o período entre o momento em que o imigrante passou a residir por prazo indeterminado no país e a apresentação do pedido.

Prazo pode ser reduzido em algumas situações

A legislação prevê situações em que o período mínimo de residência pode ser menor. Entre elas estão casos de pessoa com filho brasileiro ou de casamento ou união estável com brasileiro, observadas as condições previstas nas normas.

Por isso, o simples fato de um jogador estar há quatro anos no país não é o único critério para a concessão da cidadania. O processo depende da análise da documentação e do cumprimento de todos os requisitos legais.

Naturalização e limite de estrangeiros

No futebol, a naturalização pode ter um efeito prático importante. Um atleta que obtém a cidadania brasileira deixa de ser contabilizado como estrangeiro para as competições que adotam esse critério.

Com a redução gradual do limite de estrangeiros, jogadores que estão há muitos anos no país podem se tornar uma alternativa para os clubes manterem seus elencos sem ocupar uma das vagas destinadas a atletas de outras nacionalidades.

Assim, nomes como Arrascaeta, Gustavo Gómez, Piquerez, Villasanti e Cano passam a aparecer também dentro de uma discussão que vai além do desempenho esportivo: a adaptação definitiva ao futebol brasileiro e a possibilidade de obter a nacionalidade do país onde construíram parte importante de suas carreiras.

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