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Esportes

Benim mira brasileiros para construir nova potência do futebol africano

País africano investe em infraestrutura, formação de atletas e busca jogadores da diáspora; brasileiros como Marlon Freitas e Igor Paixão foram sondados para defender a seleção

Júlio César

Por Júlio CésarColunistaPublicado em 06/10/2026, 11:34Atualizado em 06/10/2026, 11:34

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Benim mira brasileiros para construir nova potência do futebol africano

Foto: Reprodução: Instagram

O Benim quer mudar de patamar no futebol internacional. Inspirado pelo crescimento de outras seleções africanas, especialmente o Marrocos, o país vem adotando uma estratégia que envolve investimentos em infraestrutura, formação de jovens jogadores e a busca por atletas com ligação histórica ou familiar com o território beninense.

Nesse projeto, o Brasil passou a ocupar um espaço importante. Jogadores brasileiros que nunca defenderam a Seleção em partidas oficiais foram procurados para representar o país africano. Entre os nomes sondados estão o volante Marlon Freitas e o atacante Igor Paixão, que optaram por manter o foco na possibilidade de defender o Brasil.

A aproximação entre os dois países também tem um componente histórico. O Benim teve papel importante no tráfico de africanos escravizados para o Brasil entre os séculos XVIII e XIX, deixando marcas profundas na formação cultural e social brasileira. A busca por atletas brasileiros de origem africana faz parte justamente dessa tentativa de reconstruir vínculos com a diáspora.

Investimento milionário no futebol

O projeto beninense vai além da seleção principal. Nos últimos anos, o país investiu cerca de US$ 400 milhões no futebol, valor próximo de R$ 2,5 bilhões, com a construção de 24 estádios e iniciativas para fortalecer os clubes e a liga nacional.

A estratégia também inclui investimentos na formação de jogadores dentro do próprio país e na identificação de talentos espalhados pelo mundo.

A intenção é criar uma estrutura capaz de levar o Benim a uma Copa do Mundo e transformar a seleção em uma referência no continente africano.

Brasileiro ganha nacionalidade e defende o Benim

Um dos resultados dessa aproximação foi o atacante Felipe Santos, brasileiro nascido no interior de São Paulo. Aos 29 anos, o jogador, que teve passagens pelas categorias de base de Palmeiras e Vasco, atua atualmente no futebol da Tailândia.

Convidado para conhecer o projeto, Felipe viajou ao Benim em 2025 e ficou impressionado com a recepção e com a ligação cultural entre os dois países. Posteriormente, obteve a nacionalidade beninense e chegou a disputar quatro amistosos pela seleção, marcando um gol.

A situação, porém, ainda não permite que o atacante dispute partidas oficiais pelo país. A Fifa exige critérios específicos para que um jogador possa defender uma seleção diferente daquela de nascimento, e o caso de Felipe está sendo analisado pela entidade.

A Federação Beninense de Futebol apresentou uma petição à Fifa para tentar viabilizar a participação do atleta em competições oficiais.

Marlon Freitas e Igor Paixão recusaram convite

A estratégia também chegou a jogadores de maior destaque no futebol brasileiro e europeu.

Marlon Freitas, volante do Palmeiras, foi procurado diretamente por Henrique Souza, ex-jogador de Flamengo e Fluminense e atualmente envolvido no projeto esportivo do Benim.

Igor Paixão, atacante do Olympique de Marseille, também foi sondado. O contato foi feito com o pai do jogador, que nasceu em uma região quilombola do Amapá.

Os dois, porém, recusaram a possibilidade por ainda alimentarem o sonho de defender a Seleção Brasileira.

Futebol como ponte entre Brasil e África

Para os responsáveis pelo projeto, a iniciativa não se limita ao desempenho esportivo. A ideia é utilizar o futebol como ferramenta para aproximar o Benim da população afrodescendente espalhada pelo mundo e recuperar vínculos históricos.

O país aprovou, em 2024, uma legislação que facilita o pedido de nacionalidade para afrodescendentes de diferentes partes do mundo.

No caso brasileiro, a iniciativa ganha um significado ainda maior diante das raízes históricas compartilhadas. A aproximação entre Benim e Brasil pretende transformar essa ligação histórica em uma nova ponte cultural e esportiva.

Enquanto busca talentos fora de suas fronteiras, o Benim tenta construir dentro do país uma estrutura capaz de revelar seus próprios jogadores. O objetivo é ambicioso: deixar de ser apenas mais uma seleção africana e se tornar uma potência do continente.

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