CBF propõe cota extra da Copa do Brasil para ajudar clubes a quitar dívidas
Medida prevê distribuição de valor fixo a clubes das Séries A e B entre 2027 e 2030; recursos terão destinação controlada conforme a situação financeira de cada equipe
Por Júlio CésarColunistaPublicado em 22/09/2026, 11:06Atualizado em 22/09/2026, 11:06

Foto: Nelson Termé/CBF
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) estuda criar uma cota fixa adicional da Copa do Brasil destinada aos clubes das Séries A e B. A proposta prevê utilizar parte do aumento das receitas geradas pelos novos contratos de transmissão da competição para auxiliar as equipes no pagamento de dívidas e em investimentos estruturais.
A estimativa é que a iniciativa movimente pouco menos de R$ 1 bilhão entre 2027 e 2030. A Copa do Brasil terá um crescimento de aproximadamente 80% nas receitas provenientes dos direitos de transmissão, que devem superar R$ 1 bilhão por ano.
Atualmente, a CBF arrecada cerca de R$ 600 milhões com os direitos de transmissão da competição. Aproximadamente 80% desse montante é destinado à premiação dos clubes de acordo com o desempenho em cada fase.
A intenção da entidade é manter o atual sistema de premiação e acrescentar a nova cota fixa. Hoje, o campeão da Copa do Brasil recebe R$ 78 milhões, enquanto campeão e vice concentram cerca de 24% do valor total distribuído em premiações.
Recursos terão destinação específica
A nova verba não poderá ser utilizada livremente pelos clubes. A proposta prevê regras diferentes de acordo com a situação financeira de cada equipe.
Clubes que tenham salários atrasados, dívidas elevadas ou pendências financeiras deverão direcionar os recursos para o pagamento de salários, débitos reconhecidos pela Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) ou obrigações tributárias.
Já as equipes que estiverem com as contas em dia poderão utilizar o dinheiro em investimentos de infraestrutura. Entre as possibilidades estão a construção ou modernização de centros de treinamento e reformas de estádios.
Fiscalização
O uso dos recursos deverá ser acompanhado pela agência de Fair Play Financeiro da CBF. A intenção é garantir que o dinheiro adicional seja empregado para melhorar a situação financeira e estrutural dos clubes, evitando que a receita seja direcionada novamente ao aumento dos gastos com salários.
O formato definitivo da proposta, assim como o valor que será destinado individualmente a cada clube, ainda não foi definido pela CBF. A entidade deverá discutir os detalhes do modelo antes da implementação prevista para 2027.
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