Clubes ameaçam paralisar o Brasileirão em protesto à MP das Bets
14 dos 20 clubes da Série A do Brasileirão são patrocinados por bets
Por Antônio ViníciusColunistaPublicado em 29/09/2026, 16:02Atualizado em 29/09/2026, 16:02

Os clubes brasileiros seguem debatendo os impactos que a Medida Provisória que proíbe as bets em território nacional causará no futebol, fazendo com que dirigentes aumentem a pressão sobre o tema e comecem a discutir medidas mais extremas para expor sua insatisfação, como recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) ou mesmo paralisar o Campeonato Brasileiro da Série A.
A decisão do governo federal, oficializada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na última sexta-feira, influencia diretamente a estrutura financeira dos clubes patrocinados por empresas de apostas esportivas de quota fixa, sendo esses 14 dos 20 que, atualmente, compõem a Série A do Brasileirão. Alguns deles, inclusive, contavam com as receitas previstas em contrato com as bets para fins como manutenção de outras modalidades e na montagem de seus elencos.
Ontem, por exemplo, o presidente do Flamengo Luiz Eduardo Baptista, o Bap, falou sobre o tema no programa Mengo Cast, da TV oficial do clube. "Como é que eu vou pagar o Paquetá em janeiro? Eu assumi um compromisso importante com o Flamengo. O Flamengo faz tudo dentro da lei, não precisa de ajuda do Governo para pagar suas dívidas”, comentou o mandatário rubro-negro.
Outros clubes, como o São Paulo, poderia movimentar cerca de R$ 680 milhões entre 2024 e 2030, período de contrato vigente com a Superbet, patrocinadora máster do clube, embora o acordo já contasse com uma cláusula prevendo suspensão ou rescisão em caso de proibição das atividades no ramo de apostas por determinação regulatória ou judicial.
A pressão ficou ainda maior quando clubes como Flamengo, Fluminense, Vasco, Palmeiras, Santos e São Paulo decidiram não enviar representantes à reunião do governo federal, envolvendo o Ministério dos Esportes e as agremiações, para discutir as consequências da proibição das bets no âmbito esportivo. O encontro acabou sendo cancelado.
Tanto os clubes quanto empresas do mercado de apostas pretendem judicializar o caso acionando o STF, alegando que possuem contratos legalmente firmados. As entidades que representam as bets também argumentam que o governo não poderia eliminar um mercado que havia sido regulamentado e no qual empresas fizeram investimentos e pagaram outorgas para obter autorização de funcionamento.
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