Corinthians propõe naming rights à Caixa para quitar dívida da Arena
Clube quer entregar exploração comercial do nome do estádio ao banco para encerrar débito de cerca de R$ 630 milhões
Por Júlio CésarColunistaPublicado em 28/09/2026, 19:48Atualizado em 28/09/2026, 19:48

Foto: Anderson Romão/AGIF
O Corinthians negocia com a Caixa Econômica Federal uma solução para quitar a dívida relacionada à construção da Neo Química Arena. A proposta apresentada pelo clube prevê que o banco estatal assuma os naming rights do estádio como parte da operação para extinguir o débito, atualmente estimado em cerca de R$ 630 milhões.
A negociação ganhou força após reuniões realizadas em Brasília na última semana. O presidente do Corinthians, Osmar Stabile, o diretor jurídico Pedro Soares e o diretor cultural Rafael Castilho participaram das conversas com representantes da Caixa. A expectativa do clube é que a proposta seja analisada pelo Conselho Diretor da instituição.
Pelo modelo apresentado, a Caixa teria o direito de explorar comercialmente o nome da Arena durante um período determinado. Em contrapartida, o valor atribuído aos naming rights seria utilizado para considerar quitada a dívida do estádio.
O Corinthians avalia que os naming rights da Arena possuem atualmente um valor de mercado próximo de R$ 70 milhões por temporada. O contrato vigente com a Hypera Pharma, assinado em 2020, prevê pagamentos de aproximadamente R$ 15 milhões por ano, corrigidos pela inflação.
Além do direito de nome do estádio, a proposta inclui outros ativos comerciais. Entre eles estão a possibilidade de o Corinthians concentrar sua operação financeira na Caixa, com contas e pagamentos de salários, além do lançamento de títulos de capitalização e cartões vinculados ao programa Fiel Torcedor.
O clube também solicitou a devolução de aproximadamente R$ 27 milhões mantidos em uma conta reserva prevista no acordo de renegociação firmado em 2022. Como o Corinthians está em dia com as parcelas, a diretoria pretende utilizar os recursos para reforçar o caixa.
Outro pedido em discussão é a suspensão temporária das próximas parcelas da dívida enquanto as partes negociam os termos definitivos da operação.
Dívida representa parte importante do passivo
A dívida da Arena corresponde a aproximadamente 22,5% do endividamento total do Corinthians, estimado em R$ 2,8 bilhões. Desde a inauguração do estádio, em 2014, o clube já desembolsou cerca de R$ 600 milhões relacionados ao financiamento da construção.
O acordo firmado em 2022 estabeleceu dezembro de 2041 como prazo final para o pagamento. A partir de 2025, o contrato passou a prever amortizações crescentes, além de juros de 2% ao ano acrescidos da variação do CDI.
A atual diretoria considera a dívida da Arena um dos principais problemas financeiros do clube e tem colocado a sua quitação entre as prioridades da gestão.
A Caixa, procurada pelo ge, afirmou que não comenta operações bancárias específicas ou eventuais negociações, citando o sigilo bancário previsto na legislação.
Caso o acordo avance, o Corinthians pretende negociar com a Hypera Pharma a utilização dos naming rights de outras instalações do clube, como o CT Joaquim Grava.
A proposta ainda depende da análise e aprovação da Caixa. Portanto, até o momento, não há acordo definitivo para a quitação da dívida da Arena.
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