De fuga do Talibã ao pódio: afegã conquista prata no ciclismo dos Jogos Asiáticos
Fariba Hashimi, de 23 anos, precisou se disfarçar de homem para treinar no Afeganistão e deixou o país em 2021; agora, vive na Itália e celebra medalha em Nagoya
Por Júlio CésarColunistaPublicado em 22/09/2026, 09:09Atualizado em 22/09/2026, 09:09

Fariba Hashimi é prata no ciclismo dos Jogos Asiáticos — Foto: REUTERS/Bryan Foo
A ciclista afegã Fariba Hashimi, de 23 anos, viveu nesta terça-feira um dos momentos mais importantes de sua carreira. Após uma trajetória marcada por restrições, ameaças e pela fuga do Afeganistão, a atleta conquistou a medalha de prata na prova de estrada dos Jogos Asiáticos, em Nagoya, no Japão.
Hashimi ficou atrás apenas da chinesa Guo Li na disputa. O resultado ganhou um significado ainda maior por causa da história da ciclista, que precisou se disfarçar de homem para conseguir treinar em seu país natal.
Treinos escondidos e ataques
Fariba começou a praticar ciclismo ao lado da irmã, Yulduz Hashimi, também ciclista. As duas precisavam usar roupas masculinas para conseguir treinar no Afeganistão, onde enfrentaram hostilidade e chegaram a ser atacadas com pedras durante os treinos.
Após o retorno do Talibã ao poder, em 2021, a situação das mulheres no país se tornou ainda mais restritiva. Fariba deixou o Afeganistão e posteriormente se estabeleceu na Itália, onde passou a dar continuidade à carreira esportiva.
A ciclista contou que a decisão de deixar o país esteve diretamente ligada ao desejo de continuar praticando o esporte e perseguir seus objetivos.
Medalha com estrutura limitada
Mesmo longe de casa, Fariba chegou ao pódio em Nagoya enfrentando dificuldades logísticas. Segundo ela, a delegação afegã não contava com um mecânico para acompanhá-la adequadamente durante a competição.
A própria atleta precisou ajudar na manutenção e na limpeza da bicicleta. Ela também destacou o auxílio recebido da equipe japonesa, que colaborou com reparos no equipamento.
Antes da prova de estrada, Fariba havia terminado na sétima colocação no contrarrelógio dos Jogos Asiáticos.
Mensagem para outras mulheres
Depois da conquista, Hashimi afirmou que espera que sua medalha sirva de inspiração para outras mulheres afegãs. A atleta destacou que sua trajetória representa não apenas uma conquista individual, mas também uma forma de mostrar que mulheres de seu país continuam buscando espaço no esporte.
A ciclista já havia participado dos Jogos Olímpicos de Paris, em 2024, e agora mira uma nova participação olímpica em Los Angeles 2028.
A prata conquistada em Nagoya se soma, assim, a uma trajetória que começou com treinos escondidos no Afeganistão e chegou ao pódio de uma das principais competições esportivas do continente asiático.
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