Dívidas dos clubes brasileiros chegam a R$ 25 bilhões; Corinthians, Atlético-MG e São Paulo lideram ranking
Novo painel divulgado pela Agência de Fair Play Financeiro revela situação econômica dos 40 clubes das Séries A e B do Brasileirão; equipes com pagamentos atrasados podem sofrer punições, incluindo proibição de contratar jogadores.
Por Júlio CésarColunistaPublicado em 21/10/2026, 16:08Atualizado em 21/10/2026, 16:08

Foto: Gilson Lobo/AGIF
A situação financeira dos clubes brasileiros ganhou novos números nesta quarta-feira (21). A Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade no Futebol (Anresf), vinculada à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), disponibilizou um painel com informações sobre o endividamento das equipes que disputam as Séries A e B do Campeonato Brasileiro.
Segundo os dados referentes ao encerramento de 2025, os 40 clubes acumulavam aproximadamente R$ 25 bilhões em dívidas. Desse total, R$ 22,08 bilhões correspondem às equipes da primeira divisão, enquanto os participantes da Série B somam R$ 2,92 bilhões.
O Corinthians aparece como o maior devedor do futebol brasileiro, com um passivo de R$ 2,76 bilhões. Na sequência estão Atlético-MG, com R$ 2,66 bilhões, e São Paulo, com R$ 2,45 bilhões. O Botafogo ocupa a quarta posição, com R$ 2,01 bilhões, seguido pelo Palmeiras, com R$ 1,58 bilhão.
Além do endividamento total, o levantamento aponta que o Atlético-MG possui a maior dívida de curto prazo, com R$ 1,36 bilhão em obrigações com vencimento dentro de 12 meses.
Confira os 20 clubes mais endividados do Brasil
Valores referentes a 31 de dezembro de 2025
Posição | Clube | Dívida total |
|---|---|---|
1º | Corinthians | R$ 2,76 bilhões |
2º | Atlético-MG | R$ 2,66 bilhões |
3º | São Paulo | R$ 2,45 bilhões |
4º | Botafogo | R$ 2,01 bilhões |
5º | Palmeiras | R$ 1,58 bilhão |
6º | Cruzeiro | R$ 1,36 bilhão |
7º | Internacional | R$ 1,27 bilhão |
8º | Flamengo | R$ 1,26 bilhão |
9º | Santos | R$ 1,23 bilhão |
10º | Vasco | R$ 1,10 bilhão |
11º | Fluminense | R$ 1,04 bilhão |
12º | Grêmio | R$ 936 milhões |
13º | Bragantino | R$ 772 milhões |
14º | Sport | R$ 422 milhões |
15º | Vitória | R$ 408 milhões |
16º | Bahia | R$ 407 milhões |
17º | Athletico-PR | R$ 405 milhões |
18º | Náutico | R$ 292 milhões |
19º | Fortaleza | R$ 291 milhões |
20º | América-MG | R$ 283 milhões |
Apenas seis clubes da Série A não relataram pagamentos atrasados
Outro dado que chama a atenção é a quantidade de equipes com pendências financeiras. Dos 20 participantes da Série A, somente seis declararam não possuir pagamentos vencidos na data de referência de 30 de junho de 2026.
São eles: Bahia, Chapecoense, Flamengo, Mirassol, Palmeiras e Red Bull Bragantino.
O painel considera obrigações relacionadas a salários, transferências de jogadores e tributos. É importante destacar que possuir dívidas não significa necessariamente estar inadimplente, já que parte dos valores pode ter vencimento futuro ou estar incluída em acordos de pagamento.
Clubes podem sofrer transfer ban
Com a implantação das regras de Fair Play Financeiro, a CBF pretende ampliar a fiscalização sobre as contas das equipes e combater atrasos recorrentes.
Nesta semana, Atlético-MG, Grêmio, Internacional e São Paulo receberam determinações para regularizar determinadas pendências financeiras contraídas em 2026 no prazo de 45 dias.
Caso não cumpram as exigências, os clubes poderão sofrer o chamado transfer ban, punição que impede o registro de novos jogadores.
A partir de novembro, o regulamento também permitirá sanções relacionadas a dívidas anteriores a 2026. Diante desse cenário, dirigentes discutem a possibilidade de solicitar o adiamento das punições para 2027 ou 2028. Até o momento da divulgação das informações, nenhuma proposta formal havia sido apresentada à agência.
Transparência e controle financeiro
A criação do painel representa uma nova etapa no acompanhamento das finanças do futebol nacional. A ferramenta permite consultar os passivos declarados pelos clubes e acompanhar a situação de pagamentos em atraso.
A próxima atualização das declarações de pendências está prevista para 30 de novembro.
Com dívidas bilionárias e maior fiscalização, os clubes brasileiros terão o desafio de equilibrar investimentos no futebol, compromissos financeiros e sustentabilidade econômica, em um cenário no qual a gestão fora de campo poderá ter consequências diretas sobre o desempenho esportivo.
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