Ex-dono da SAF do Vasco admite fraude bilionária nos Estados Unidos
Josh Wander, fundador da 777 Partners, declarou-se culpado de fraude eletrônica e fraude com valores mobiliários; empresário pode pegar até 20 anos de prisão por cada acusação.
Por Júlio CésarColunistaPublicado em 16/10/2026, 12:30Atualizado em 16/10/2026, 12:30

Foto: Thiago Ribeiro/AGIF
Josh Wander, fundador da 777 Partners e ex-controlador da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Vasco, declarou-se culpado de participar de um esquema de fraude bilionária nos Estados Unidos. A confissão foi feita nesta quinta-feira (15), perante a Justiça americana.
De acordo com as acusações, o esquema envolvia a utilização de ativos inexistentes ou já oferecidos como garantia, além de extratos bancários falsificados, para obter recursos de credores e investidores. O valor envolvido supera R$ 2,5 bilhões.
Wander admitiu envolvimento em crimes de fraude eletrônica e fraude com valores mobiliários. Parte dos recursos obtidos ilegalmente teria sido utilizada para financiar despesas e aquisições da 777 Partners, empresa que construiu uma rede internacional de clubes de futebol.
Como parte do acordo judicial, o empresário concordou com o confisco de pelo menos US$ 500 milhões. Ele poderá ser condenado a até 20 anos de prisão por cada uma das duas acusações, embora a pena definitiva dependa da decisão judicial.
A sentença está marcada para 1º de março de 2027, quando a Justiça dos Estados Unidos deverá definir a punição.
Relação com o Vasco
A 777 Partners assumiu o controle da SAF do Vasco em 2022, em um acordo que prometia investimentos para fortalecer o elenco e melhorar a estrutura do clube carioca.
Entretanto, a relação entre a empresa americana e o Vasco se deteriorou em meio a problemas financeiros e questionamentos sobre o cumprimento das obrigações contratuais. Em maio de 2024, uma decisão judicial afastou a 777 Partners do comando da SAF, permitindo que o clube associativo retomasse o controle do futebol.
A confissão de culpa de Wander aumenta a repercussão internacional do caso e volta a colocar em evidência os problemas envolvendo a antiga gestão da SAF vascaína. Apesar disso, eventuais consequências jurídicas e financeiras para o Vasco dependem de análises específicas sobre os contratos e as operações realizadas durante o período de controle da empresa.
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