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Esportes

Fim da escala 6x1 exigirá mudanças na rotina do futebol brasileiro

Nova emenda constitucional garante dois dias de descanso remunerado por semana, sem redução salarial; clubes terão de reorganizar treinos, viagens, concentrações e utilização dos elencos.

Por Giovane PapaColunistaPublicado em 27/10/2026, 15:09Atualizado em 27/10/2026, 15:09

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Fim da escala 6x1 exigirá mudanças na rotina do futebol brasileiro

(Imagem: Luiz Ferrazzo/Chapecoense/Jogada10)

O fim da escala 6x1 também terá impactos no futebol brasileiro. A Emenda Constitucional nº 141/2026, promulgada em 16 de outubro, garante dois dias de repouso semanal remunerado e prevê mudanças na jornada de trabalho sem redução salarial. Para os clubes, a adaptação exigirá mudanças na organização dos treinamentos, das viagens e das concentrações, além de uma nova gestão dos elencos.

A nova regra sobre os dois dias de descanso entrará em vigor dois meses após a publicação da emenda, em dezembro de 2026. O texto também prevê a redução gradual da jornada máxima semanal. A partir desse período de transição, o limite será de 42 horas semanais, com redução para 40 horas após mais um ano.

Segundo especialistas ouvidos pelo portal Lei em Campo, viagens e concentrações obrigatórias não devem ser consideradas folgas. Mesmo sem treinamento, o atleta precisa estar efetivamente liberado das obrigações impostas pelo clube para que o período seja caracterizado como descanso.

A mudança também coloca em discussão o calendário do futebol nacional, que reúne campeonatos estaduais, Brasileirão, Copa do Brasil e torneios continentais. Com partidas frequentes e deslocamentos constantes, os clubes poderão precisar ampliar o rodízio de jogadores e utilizar mais atletas ao longo da temporada para conciliar o calendário com o direito ao descanso.

O Sindicato dos Atletas Profissionais de São Paulo já negocia uma convenção coletiva para regulamentar questões relacionadas à jornada e às folgas. O presidente da entidade, Rinaldo Martorelli, critica a tentativa dos clubes de disputar todas as competições utilizando os mesmos jogadores, apontando a necessidade de rever a gestão dos elencos diante das novas regras.

A aplicação da emenda ao futebol profissional deverá exigir diálogo entre clubes, sindicatos e especialistas em direito desportivo para definir como os períodos de descanso serão distribuídos, respeitando as garantias constitucionais e as particularidades da atividade.

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