Flamengo fica abaixo da meta de vendas e acende alerta sobre a base
Rubro-Negro arrecadou R$ 171,6 milhões em negociações em 2026, abaixo dos R$ 250 milhões previstos no orçamento; baixo aproveitamento dos jovens também preocupa
Por Júlio CésarColunistaPublicado em 05/10/2026, 08:36Atualizado em 05/10/2026, 08:36

Foto: Infoesporte
O Flamengo encerrou as principais janelas de transferências de 2026 sem alcançar a meta de arrecadação estabelecida no orçamento do clube. O Rubro-Negro projetava aproximadamente R$ 250 milhões em vendas de jogadores, mas chegou a R$ 171,6 milhões, ficando cerca de R$ 78 milhões abaixo do objetivo.
A negociação mais valiosa do ano foi a do meia-atacante Ryan Roberto, vendido ao Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, por 9,5 milhões de euros, cerca de R$ 56,3 milhões. Como o Flamengo detinha 70% dos direitos econômicos, o clube ficou com aproximadamente R$ 39,4 milhões.
Outras negociações importantes envolveram Wallace Yan, transferido para o Bragantino por R$ 36,2 milhões, além dos valores referentes à transferência de João Gomes para o Aston Villa, Victor Hugo, Juninho e Lorran.
Apesar das movimentações, o volume arrecadado ficou distante da previsão feita pela diretoria no início da temporada.
Base volta ao centro do debate
O desempenho financeiro das transferências também colocou novamente em discussão o trabalho realizado nas categorias de base do Flamengo. Jovens que anteriormente eram tratados como grandes promessas acabaram deixando o clube por valores considerados baixos diante do tamanho do investimento e da estrutura rubro-negra.
Lorran, Victor Hugo e Guilherme, por exemplo, renderam juntos aproximadamente R$ 22 milhões ao Flamengo. O valor é inferior ao que o clube esperava obter com atletas formados no Ninho do Urubu.
Além disso, o aproveitamento desses jogadores no time principal também é considerado baixo. Dos 110 gols marcados pelo Flamengo na temporada, apenas 23 tiveram participação direta de jogadores formados na base. Desse número, 11 tiveram envolvimento de Lucas Paquetá, que retornou ao clube já como atleta experiente e consolidado no futebol europeu.
No elenco atual, Evertton Araújo e Wallace Yan foram alguns dos jovens que conseguiram conquistar espaço. Wallace, porém, acabou negociado com o Bragantino.
Presidente já havia demonstrado preocupação
A situação não é uma novidade para a diretoria. O presidente Bap já havia manifestado publicamente preocupação com a distância entre as categorias de base e o futebol profissional.
Segundo o dirigente, o Flamengo precisa formar jogadores capazes de preencher mais espaços no elenco principal e, consequentemente, também gerar receitas importantes por meio de transferências.
A avaliação interna é de que o clube precisa encontrar um equilíbrio entre conquistar títulos nas categorias inferiores e, ao mesmo tempo, revelar atletas preparados para atuar no time profissional.
Flamengo tenta mudar o modelo
Para mudar o cenário, a atual gestão iniciou uma reformulação nas categorias de base. O clube reduziu o número de atletas de aproximadamente 400 para 250 e encerrou o chamado time B do sub-20.
O Flamengo também passou a investir na contratação de jovens para suas categorias inferiores. Entre os exemplos estão o centroavante Josmar, ex-Avaí, e o volante Pedro Henrique, contratado junto ao Paysandu. Os dois custaram cerca de R$ 3,5 milhões e R$ 3 milhões, respectivamente.
Outra frente adotada pelo clube foi a ampliação das parcerias com equipes formadoras. O Flamengo passou a trabalhar com clubes como Inter de Minas e Tolentino Esportes, que se juntaram a parceiros já existentes no processo de captação de talentos.
O desafio, agora, é fazer com que o investimento na formação se transforme em duas fontes importantes para o clube: jovens capazes de atuar no time profissional e negociações que gerem receitas relevantes.
O cenário de 2026 mostra que o Flamengo ainda tem um caminho a percorrer para voltar a transformar sua base em uma das principais fontes de talentos e receitas do futebol rubro-negro.
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