Flamengo vota contra redução de estrangeiros e cobra mudança em regra de transferências
Presidente Bap queria que limite de 12 jogos para transferências dentro do Brasileirão também fosse discutido na reunião da CBF
Por Júlio CésarColunistaPublicado em 21/09/2026, 19:35Atualizado em 21/09/2026, 19:35

Luiz Eduardo Baptista, o Bap, presidente do Flamengo. — Foto: Jorge Rodrigues/AGIF
O Flamengo votou contra a proposta da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para reduzir gradualmente o número de jogadores estrangeiros que podem ser relacionados por partida no Campeonato Brasileiro. A decisão foi tomada nesta segunda-feira (21), durante reunião da entidade com os clubes das Séries A e B, no Rio de Janeiro.
O principal motivo da posição rubro-negra foi a tentativa de colocar em discussão outra regra que afeta diretamente o mercado de transferências. O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, queria que os clubes também analisassem a possibilidade de flexibilizar o limite de 12 partidas para que um jogador possa trocar de equipe dentro do Brasileirão na mesma temporada.
A CBF, porém, informou que o assunto não estava previsto na pauta da reunião e não abriu votação sobre a proposta. Diante disso, Bap decidiu manter o voto contrário à redução do limite de estrangeiros. A entidade sinalizou que poderá discutir a sugestão em um encontro futuro com os clubes.
Flamengo tem dez estrangeiros no elenco
A mudança aprovada pelos clubes prevê uma redução gradual do número de estrangeiros permitidos por partida. Atualmente, cada equipe pode relacionar até nove atletas de outras nacionalidades.
A partir de 2027, o limite cairá para oito. Depois, será reduzido para sete em 2028, seis em 2029 e cinco em 2030. Flamengo e Bahia votaram contra a proposta.
O tema tem impacto direto no planejamento do Flamengo. O clube possui dez estrangeiros no elenco, o que já faz com que, quando todos estão disponíveis, pelo menos um jogador de fora do país precise ficar fora da relação para uma partida.
Entre os estrangeiros do elenco estão nomes importantes do time, como Arrascaeta e De la Cruz. A redução progressiva do limite aumentará a necessidade de escolhas do clube nas escalações ao longo das próximas temporadas.
Bap questionou impacto no mercado
Na avaliação apresentada pelo presidente do Flamengo, o limite atual de 12 jogos também interfere na formação dos elencos. O dirigente argumentou que a restrição dificulta a contratação de jogadores que já atuaram por outras equipes brasileiras na mesma edição do campeonato.
A intenção era discutir as duas regras simultaneamente: tanto a quantidade de estrangeiros que podem ser relacionados quanto a possibilidade de facilitar transferências entre clubes durante a competição.
Como o segundo tema não estava na pauta, a discussão ficou para uma próxima reunião. Os clubes e a CBF devem voltar a tratar do assunto em outubro.
CBF quer ampliar espaço para jovens
A proposta aprovada faz parte de um conjunto de medidas elaborado pela CBF para aumentar a participação de jogadores sub-23 no Campeonato Brasileiro.
Segundo dados apresentados pela entidade, a média de idade dos jogadores do Brasileirão chegou a 28,5 anos em 2026, acima dos números registrados nas principais ligas europeias. A CBF também apontou que os jogadores brasileiros sub-23 têm participação reduzida na minutagem da competição.
Além da redução dos estrangeiros, foi aprovada uma mudança no sistema de inscrições. Os clubes continuarão podendo registrar até 50 jogadores, mas haverá uma divisão entre listas A e B, com aumento gradual do espaço destinado aos atletas sub-23.
Em 2027, serão 30 vagas na lista A e 20 na lista B. Até 2030, a proporção chegará a 25 jogadores em cada lista.
O Flamengo inicialmente não era contrário a essas mudanças de forma geral. A discordância apresentada por Bap esteve relacionada principalmente à forma como as medidas foram colocadas em votação e à ausência da discussão sobre o limite de jogos para transferências.
A CBF informou que pretende continuar debatendo as regras com os clubes em novas reuniões.
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