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Esportes

Infantino é acusado de interferir em investigação do Manchester City e do PSG

Documentos do Football Leaks apontaram que o então secretário-geral da UEFA participou diretamente de acordos que evitaram punições mais severas aos dois clubes por violações do fair play financeiro

Júlio César

Por Júlio CésarColunistaPublicado em 01/10/2026, 08:07Atualizado em 01/10/2026, 08:07

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Infantino é acusado de interferir em investigação do Manchester City e do PSG

Pablo Morano/BSR Agency/Getty Images

Gianni Infantino voltou ao centro de uma antiga controvérsia envolvendo o fair play financeiro da UEFA. Novas declarações de Rui Pinto, responsável pelas revelações do Football Leaks, reacenderam as acusações de que o atual presidente da FIFA teria interferido nas investigações envolvendo Manchester City e Paris Saint-Germain quando ocupava o cargo de secretário-geral da entidade europeia, em 2014.

Negociações nos bastidores

Documentos analisados pela Reuters e por veículos integrantes do consórcio European Investigative Collaborations mostraram que Infantino participou das negociações que levaram City e PSG a acordos com a UEFA. Segundo a investigação, os dois clubes estavam sob pressão por causa de contratos de patrocínio considerados supervalorizados pelos especialistas contratados pela própria entidade.

No caso do Manchester City, um relatório preliminar da UEFA apontava perdas muito acima do limite permitido pelas regras da época e questionava o valor de contratos com patrocinadores ligados aos proprietários do clube. O documento indicava que o clube poderia sofrer sanções severas, incluindo a exclusão das competições europeias.

Foi nesse contexto que Infantino entrou nas negociações. Segundo documentos revelados pelo Football Leaks, ele manteve contatos diretos com dirigentes do City e participou da construção de um acordo que reduziu significativamente a punição inicialmente discutida.

De acordo com a documentação divulgada na época, Infantino chegou a enviar ao presidente do Manchester City, Khaldoon Al Mubarak, uma versão modificada do acordo. A multa que estava sendo discutida, de 60 milhões de euros, acabou reduzida para 20 milhões de euros em sua parte fixa.

Caso do PSG também envolveu Infantino

O Paris Saint-Germain enfrentava uma situação semelhante. Investigadores da UEFA haviam questionado o valor de um contrato de patrocínio envolvendo a Qatar Tourism Authority, entidade ligada ao governo do Catar.

Segundo a investigação publicada em 2018, especialistas contratados pela UEFA consideravam o valor de mercado do acordo muito inferior ao montante contabilizado pelo clube. O caso poderia levar a uma punição esportiva mais pesada caso não houvesse um acordo.

Infantino também participou das negociações envolvendo o PSG. A investigação do Football Leaks apontou que a UEFA acabou aceitando uma avaliação do contrato que permitiu ao clube cumprir as exigências financeiras e evitar uma sanção que poderia chegar à exclusão das competições europeias.

Rui Pinto volta a acusar dirigente

O tema voltou aos holofotes nesta semana depois que Rui Pinto retomou as acusações contra Infantino. O português afirmou que o então secretário-geral da UEFA teria usado sua posição para compartilhar informações confidenciais e contornar a atuação dos órgãos responsáveis pelas investigações.

As declarações, entretanto, representam a versão e a acusação de Rui Pinto. Elas não significam que exista uma decisão judicial que tenha estabelecido que Infantino “encobriu” ilegalidades do Manchester City ou do PSG.

Na época das primeiras revelações, a UEFA defendeu a atuação de seu secretário-geral. A entidade afirmou que estava dentro das atribuições de Infantino auxiliar os órgãos responsáveis pelas investigações na busca por soluções. O próprio dirigente também defendeu sua conduta e afirmou que discussões, reuniões e troca de documentos faziam parte de suas funções.

O que os documentos mostram

O ponto central revelado pelas investigações é que Infantino participou ativamente das negociações que terminaram em acordos mais favoráveis para City e PSG, enquanto os dois clubes enfrentavam possíveis punições por questões relacionadas ao fair play financeiro.

As revelações ganharam novo significado diante dos processos posteriores envolvendo as finanças do Manchester City. Rui Pinto voltou a utilizar os documentos do Football Leaks para questionar a forma como as primeiras investigações foram conduzidas e o tratamento dado aos grandes clubes europeus.

O caso, portanto, reúne fatos documentados sobre a participação de Infantino nas negociações e acusações sobre a natureza dessa intervenção — distinção importante para compreender a controvérsia sem transformar alegações em conclusões já estabelecidas.

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