Palmeiras seguirá Flamengo em ação no STF contra fim das bets
Clube paulista deve aderir à ofensiva judicial que busca suspender os efeitos da medida provisória que proibiu as apostas esportivas no Brasil
Por Júlio CésarColunistaPublicado em 30/09/2026, 09:47Atualizado em 30/09/2026, 09:47

Foto: Gabriel de Paiva e Edilson Dantas
O Palmeiras deverá seguir os passos do Flamengo e participar da ofensiva dos clubes de futebol no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a medida provisória que determinou o fim das apostas de quota fixa no Brasil.
A movimentação ocorre após o Flamengo protocolar pedido para ingressar como parte interessada na ação que tramita no STF e questiona a medida adotada pelo governo federal. O processo é relatado pelo ministro Luiz Fux.
A tendência é que o Palmeiras participe da articulação conjunta dos clubes, federações e entidades ligadas ao futebol que buscam uma alternativa à proibição imediata das bets. Entre os pedidos discutidos está a suspensão dos efeitos da medida provisória ou, alternativamente, a criação de um período de transição.
O Sindicato Nacional das Associações de Futebol Profissional (Sinafut), que representa clubes e federações, já solicitou ao STF a suspensão da medida. Caso o pedido não seja aceito, a entidade defende uma transição de seis meses para a entrada em vigor da proibição.
A principal preocupação dos clubes é o impacto financeiro provocado pela interrupção dos contratos de patrocínio com empresas de apostas. Segundo dados divulgados pelo setor, 14 dos 20 clubes da Série A possuem contratos de patrocínio máster com casas de apostas. A estimativa é de que o mercado movimente cerca de R$ 1,1 bilhão no futebol brasileiro em 2026.
No caso do Flamengo, o clube argumentou ao STF que a medida afeta diretamente o financiamento do esporte. A equipe carioca tem contrato de patrocínio máster com a Betano estimado em R$ 268,5 milhões por temporada, válido até o fim de 2028.
Palmeiras e Flamengo também estiveram alinhados nas discussões políticas e institucionais após o anúncio da medida. Segundo informações de bastidores, a diretoria palmeirense considera que os clubes deveriam ter sido ouvidos antes da decisão do governo federal.
A ofensiva jurídica ganhou força após a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), entidades que representam empresas do setor, também recorrerem ao STF contra a medida provisória.
Com a entrada dos clubes na discussão, a disputa passa a envolver diretamente empresas de apostas, equipes de futebol, federações e entidades esportivas. O objetivo dos representantes dos clubes é preservar contratos já firmados e evitar uma ruptura imediata no planejamento financeiro das equipes.
A decisão sobre a validade e os efeitos da medida provisória caberá ao Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal, dentro de suas respectivas competências.
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