Presidente do Cuiabá critica clubes endividados e cita Santos e Vasco: “Estelionato esportivo”
Cristiano Dresch defende perda de pontos para equipes inadimplentes e questiona contratações de clubes que possuem dívidas no futebol brasileiro
Por Júlio CésarColunistaPublicado em 23/09/2026, 21:32Atualizado em 23/09/2026, 21:32

Foto: Marlon Costa
O presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch, voltou a cobrar mudanças nas regras financeiras do futebol brasileiro. Em entrevista à ESPN, o dirigente criticou clubes que possuem dívidas com outras equipes e defendeu que o descumprimento de compromissos financeiros possa resultar em punições esportivas, como a perda de pontos.
Durante a entrevista, Dresch citou diretamente Santos e Vasco e afirmou que clubes inadimplentes conseguem manter investimentos no elenco enquanto acumulam débitos com outras instituições.
Segundo o dirigente, o atual modelo de punições, que inclui o chamado transfer ban, não é suficiente para impedir que as dívidas se acumulem.
“Esse problema existe porque nós vivemos em um mercado que não tem nenhum tipo de regulação e não tem punição. Hoje o transfer ban está se mostrando insuficiente, a gente precisa que tenha perda de ponto”, afirmou.
Ao comentar a situação de Santos e Vasco, Dresch utilizou o termo “estelionato esportivo” para se referir ao que considera uma vantagem competitiva obtida por clubes que não conseguem cumprir seus compromissos financeiros.
“O Santos da mesma forma, a gente vê o Santos, o Vasco também, que deu um calote gigantesco, vão permanecer na Série A através de um estelionato esportivo. É muito grave”, declarou.
Dívida do Santos com o Cuiabá
As declarações aconteceram um dia depois de a Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) da CBF condenar o Santos a pagar R$ 18,6 milhões ao Cuiabá.
A dívida está relacionada à negociação do zagueiro Joaquim. O defensor foi contratado pelo Santos em fevereiro de 2023 e posteriormente vendido ao Tigres, do México. O Cuiabá tinha direito a valores referentes às operações envolvendo o jogador.
De acordo com o clube mato-grossense, houve uma renegociação do débito, com redução de parte do valor inicialmente previsto e divisão do pagamento em cinco parcelas. O Cuiabá afirma que o Santos quitou apenas a primeira delas.
A decisão da CNRD ainda pode ser contestada pelo Santos no Centro Brasileiro de Mediação e Arbitragem (CBMA).
O Santos, por sua vez, afirmou que a questão está sendo tratada nos fóruns institucionais competentes e reiterou o compromisso com o cumprimento de suas obrigações financeiras.
O clube paulista também argumentou que possui valores relevantes a receber de outras equipes e classificou o endividamento entre clubes como um problema estrutural do futebol brasileiro.
Presidente questiona novas contratações
Cristiano Dresch também questionou a possibilidade de clubes que possuem débitos continuarem contratando jogadores e aumentando suas folhas salariais.
Ao falar sobre o Santos, o dirigente citou as contratações de Arthur e Cebolinha como exemplos da situação que considera contraditória.
“Como que um clube que está devendo R$ 18 milhões para o Cuiabá contrata um jogador pagando R$ 2 milhões?”, questionou.
Na avaliação apresentada pelo presidente, clubes que mantêm suas contas em dia acabam competindo em condições diferentes daqueles que acumulam dívidas e continuam realizando investimentos no elenco.
Dresch também citou o Mirassol e o Remo, argumentando que equipes que cumprem suas obrigações financeiras podem ser prejudicadas esportivamente diante de concorrentes que possuem débitos.
Cuiabá tem mais de R$ 40 milhões a receber
O problema financeiro apontado pelo presidente não envolve apenas o Santos. Segundo informações divulgadas pelo Cuiabá, o clube tem mais de R$ 40 milhões a receber de outras equipes.
Entre os casos citados estão dívidas envolvendo Corinthians, Sport e Grêmio, além do débito do Santos.
O Cuiabá sustenta que o atraso no recebimento desses valores afeta diretamente o fluxo de caixa da instituição. O clube defende que decisões dos órgãos responsáveis sejam executadas com maior rapidez e que existam mecanismos capazes de pressionar os devedores a cumprir os acordos firmados.
Vasco também foi citado
Dresch incluiu o Vasco nas críticas. O clube carioca possui um histórico de dívidas e aderiu a um plano na CNRD para o pagamento de determinados débitos. Segundo informações divulgadas pela imprensa, o Vasco realizou o pagamento da primeira parcela prevista no acordo no fim de agosto e afastou, naquele momento, o risco de sofrer transfer ban.
O presidente do Cuiabá, porém, defende que o futebol brasileiro adote punições esportivas mais severas para casos de inadimplência.
A discussão acontece em meio ao debate sobre sustentabilidade financeira dos clubes brasileiros e sobre como estabelecer regras que conciliem a necessidade de investimentos esportivos com o cumprimento das obrigações assumidas no mercado de transferências.
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