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Esportes

Vasco pode jogar no Maracanã? Entenda a disputa com Flamengo e Fluminense

Edital da concessão prevê tratamento sem discriminação entre clubes, enquanto acordo firmado com Fla e Flu garante ao Vasco partidas no estádio, mas permite negativas baseadas em critérios técnicos e operacionais

Júlio César

Por Júlio CésarColunistaPublicado em 01/10/2026, 07:49Atualizado em 01/10/2026, 07:49

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Vasco pode jogar no Maracanã? Entenda a disputa com Flamengo e Fluminense

Foto: Wagner Meier/Getty Images

O Maracanã voltou a ser palco de uma disputa nos bastidores do futebol carioca. De um lado, o Vasco sustenta que possui direito de utilizar o estádio em determinadas condições. Do outro, o consórcio formado por Flamengo e Fluminense afirma que pode negar pedidos quando houver justificativas técnicas e operacionais.

A discussão ganhou força depois que o Vasco teve mais um pedido para atuar no Maracanã recusado. O clube queria disputar no estádio a semifinal da Copa Sul-Americana contra o Boca Juniors, mas recebeu uma resposta negativa do consórcio. Foi a terceira vez nos últimos meses que uma solicitação vascaína não foi aceita.

O que diz o edital?

O edital da concessão do Maracanã estabelece que a concessionária não pode favorecer determinados clubes nem impor tratamento comercial injustificadamente diferente ou discriminatório. O documento também prevê que o acesso ao estádio não pode ser impedido sem critérios técnicos.

É justamente nesse ponto que está uma das principais divergências. O Vasco interpreta a regra como uma garantia de acesso ao estádio quando houver disponibilidade e o pedido for realizado dentro das condições estabelecidas.

Já Flamengo e Fluminense defendem que a própria redação do edital permite a negativa quando existir uma justificativa técnica. Em manifestação enviada à Justiça, o consórcio argumentou que a proibição de tratamento discriminatório não impede um veto baseado em razões técnicas.

E o acordo entre os três clubes?

Além das regras da concessão, existe um acordo firmado em 2025 entre Vasco, Flamengo e Fluminense. O documento estabelece que os confrontos entre os três clubes, até o fim de 2026, seriam realizados no Maracanã.

O acordo também prevê que o Vasco poderia utilizar o estádio em quatro partidas por ano, além dos clássicos contra Flamengo e Fluminense. A negativa para esses jogos, porém, deveria ser fundamentada em critérios técnicos e operacionais, respeitando os regulamentos esportivos e as condições de utilização do estádio.

O problema é que o consórcio questiona a validade desse documento para obrigá-lo a liberar o estádio. Flamengo e Fluminense argumentam que o acordo não foi assinado pelo próprio consórcio, embora os dois clubes tenham participado da assinatura.

Gramado é o principal argumento

No caso mais recente, envolvendo o jogo contra o Boca Juniors, a justificativa apresentada para a negativa está relacionada principalmente às condições do gramado e ao calendário do estádio.

O Maracanã tem enfrentado uma sequência intensa de partidas. Em 2026, o estádio recebeu nove ocasiões em que houve jogos com intervalo de até 48 horas. No caso mais extremo, foram três partidas disputadas em apenas quatro dias.

O calendário também pesa na discussão: dois dias antes do jogo do Vasco contra o Boca, o Fluminense enfrentará o Santos no Maracanã. Dois dias depois da semifinal vascaína, seria a vez de o Flamengo receber o Estudiantes pelo jogo de ida da semifinal da Libertadores.

Assim, a disputa não se resume a uma questão de preferência dos clubes. O ponto central é definir até onde vai o direito do Vasco previsto no acordo e no edital e em quais situações o consórcio pode negar a utilização do estádio.

Enquanto o Vasco entende que há um direito de acesso que deve ser respeitado, Flamengo e Fluminense sustentam que questões técnicas e operacionais podem justificar a recusa. O impasse mantém o Maracanã no centro de mais uma disputa entre os grandes clubes do Rio.

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