Crise bancária no Paraguai retém milhões de dólares de órgãos públicos e afeta serviços
Instituições como a previdência social e a estatal de energia mantinham depósitos na instituição dissolvida pelo Banco Central; bombeiros já reduziram a capacidade de atendimento

A crise financeira envolvendo o Banco Ueno, dissolvido pelo Banco Central do Paraguai na última terça-feira (3), começou a afetar serviços públicos do país. A instituição, que tinha cerca de 2,9 milhões de clientes, também concentrava recursos de órgãos como o Instituto de Seguridade Social, a Administração Nacional de Eletricidade (ANDE) e o Corpo de Bombeiros Voluntários.
O primeiro impacto concreto foi registrado entre os bombeiros, que passaram a operar com capacidade reduzida na sexta-feira (6). Cerca de 2 bilhões de guaranis, equivalentes a US$ 313 mil, arrecadados pela organização em uma campanha, além de recursos próprios de quartéis, estão retidos no banco. A diretoria nacional alertou que a situação compromete a capacidade operacional das equipes e a continuidade dos serviços de emergência.
A previdência paraguaia também mantém aproximadamente US$ 355 milhões depositados no Ueno, valor equivalente a 9% de seu fundo. Apesar do bloqueio, o Instituto de Seguridade Social afirmou que os pagamentos a aposentados e pensionistas estão garantidos e serão realizados integralmente em 17 de novembro. O órgão tenta recuperar os recursos e trabalha para transferir as contas de cerca de 32 mil beneficiários para outras instituições financeiras.
A estatal de energia ANDE também possui depósitos na instituição, incluindo recursos de empréstimos concedidos pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento e por Taiwan. A empresa solicitou ao Banco Central tratamento especial para esses valores.
O caso também provocou uma crise política no Paraguai. O Congresso aprovou o impeachment do então presidente Santiago Peña na sexta-feira (6), e o ex-mandatário foi preso naquela noite, sob investigação por suposto envolvimento no escândalo financeiro. Com sua saída, o vice-presidente Pedro Alliana deve assumir o comando do Executivo.
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