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Política

Executivos do Master chamavam advogada que recebeu R$33 milhões de “sócia de Gilmar”

Mensagens encontradas pela PF no celular de Daniel Vorcaro mostram que dirigentes do banco associavam Dalide Corrêa ao ministro do STF e pressionavam pela liberação de pagamentos

Por Ana PaulaPublicado em 25/09/2026, 21:10Atualizado em 25/09/2026, 21:10

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Executivos do Master chamavam advogada que recebeu R$33 milhões de “sócia de Gilmar”
(Rosinei Coutinho / STF)

Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro mostram que integrantes da cúpula do Banco Master tratavam a advogada Dalide Corrêa como “sócia” do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A suposta proximidade era utilizada pelos executivos para justificar a prioridade na liberação de pagamentos ao escritório dela.

Em uma das conversas, um diretor jurídico pediu a Vorcaro autorização para uma fatura relacionada a precatórios e afirmou que a destinatária era “sócia do GM stf”. Em outro diálogo, um diretor financeiro orientou o setor de tesouraria a realizar o pagamento, classificando o escritório como um “canal direto com o STF”. Segundo apurações da PF baseadas em auditoria do Banco Regional de Brasília (BRB), o escritório teria recebido R$33 milhões do Master somente em 2024.

As mensagens também registram uma cobrança feita em agosto de 2024 para a liberação urgente de uma fatura de R$15 milhões. Ao questionar a razão do pagamento, Vorcaro foi informado de que o valor seria destinado à advogada e estaria relacionado a uma vitória em processo envolvendo uma usina do setor sucroalcooleiro em Pernambuco.

Gilmar Mendes e Dalide Corrêa negam qualquer sociedade entre os dois e classificaram a associação feita pelos executivos como “falsa”. O gabinete do ministro informou que ela ocupou apenas o cargo técnico de diretora-geral do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), instituição fundada por Gilmar, e deixou a função em 2016. A advogada afirmou que sua atuação se restringiu a processos em primeira e segunda instâncias e que nunca trabalhou em ações perante o STF.

Segundo informações, a PF não encontrou, nas conversas analisadas, menção direta a Gilmar tratando pessoalmente de precatórios com Dalide, nem evidências de que o ministro tenha influenciado decisões em benefício do Master. O gabinete também afirma que Gilmar votou contra os interesses do banco nos processos do setor sucroalcooleiro que analisou.

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