Governo prevê renegociar R$ 90 bilhões em dívidas pelo Desenrola 3.0
Programa terá desconto mínimo de 90%, com custo máximo estimado em R$ 9 bilhões; leilão deve ocorrer em novembro

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou nesta quarta (21) que instituições financeiras poderão manifestar interesse em participar do leilão de dívidas do Desenrola 3.0. A estimativa inicial do governo é renegociar R$90 bilhões em débitos, com impacto máximo de R$9 bilhões para os cofres públicos.
A diferença entre os valores está relacionada ao desconto mínimo de 90% previsto na medida provisória que instituiu o programa. O governo pretende adquirir as carteiras de crédito com deságio e repassar a redução aos devedores, em uma operação voltada à reorganização das dívidas das famílias.
Segundo Durigan, os bancos deverão apresentar o volume de débitos separado por faixas de renda. A intenção é estruturar o leilão para dar prioridade às pessoas de menor renda e aos microempreendedores individuais (MEIs). O chamamento público será direcionado às instituições financeiras, e não aos consumidores, que não negociarão diretamente com os bancos nessa etapa.
O leilão deve ocorrer em meados de novembro, independentemente do resultado do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para o dia 25. O ministro classificou a iniciativa como um programa de Estado e criticou a proposta apresentada pela oposição, que, segundo ele, “seria um calote generalizado no sistema financeiro”.
Anunciado no fim de setembro, o Desenrola 3.0 prevê a compra, pela União, de até R$150 bilhões em dívidas, com custo estimado de R$15 bilhões caso seja aplicado o desconto de 90%. O programa abrange débitos de até R$ 10 mil em cartão de crédito, incluindo rotativo e parcelado, e empréstimos pessoais sem consignação em folha, atrasados entre dois e quatro anos e meio. Após a operação, os devedores poderão quitar os valores à vista ou parcelar, com cobrança de juros nessa segunda modalidade. As condições ainda serão definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
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