PF encontra mensagens que indicam gerência de Vorcaro sobre empresa ligada ao BRB
Conversas encontradas pela PF indicam que Vorcaro influenciava decisões da Tirreno

Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular do empresário Henrique Peretto indicam que Daniel Vorcaro tinha “total gerência” sobre a Tirreno, empresa responsável pelos papéis vendidos pelo extinto Banco Master ao BRB por R$12 bilhões. Segundo os investigadores, as decisões da empresa dependiam da aprovação do então dono do Master.
Peretto foi preso na primeira fase da Operação Compliance Zero, em novembro de 2025, e solto três dias depois. De acordo com a investigação, ele era responsável por elevar o capital social da Tirreno de R$100 para R$30 milhões. As mensagens analisadas incluem conversas com o advogado Ricardo Cameirão Júnior, após o BRB enviar uma notificação extrajudicial à empresa para obter informações sobre os títulos.
Peretto enviou ao advogado uma sugestão de resposta e cobrou uma posição. Cameirão respondeu que o documento aguardava a aprovação de “DV” e, questionado, confirmou: “Tá com o DV mesmo”. Para a PF, as mensagens mostram que Vorcaro tinha “total gerência” sobre os assuntos da Tirreno. Peretto ainda tentou contato com o banqueiro até 17 de novembro, um dia antes da primeira prisão de Vorcaro.
Em seu primeiro depoimento à PF, Vorcaro citou Peretto como avalista da negociação envolvendo carteiras podres emitidas pela Tirreno e vendidas ao BRB. Ele afirmou ter comprado os papéis por R$6,7 bilhões e vendido os ativos ao banco por R$12,2 bilhões. Apesar de o BRB ter pago em dinheiro, o Master não repassou o valor. Na época, o Banco Central já havia negado a compra do Master pelo BRB após identificar inconsistências contábeis.
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