O combinado de Marinho com os ministros sobre Moraes
Por Deborah SenaColunistaPublicado em 06/10/2026, 00:22Atualizado em 06/10/2026, 00:22

O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), abriu uma rodada de conversas com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) com uma mensagem de duas partes: busca uma pacificação na relação com a Corte, mas não pretende transformar diálogo institucional em recuo político. Entre as pautas que continuarão sobre a mesa está o impeachment do ministro Alexandre de Moraes.
Marinho vem procurando ministros individualmente e defendendo a necessidade de reconstruir pontes entre os Poderes. Na quarta-feira, esteve no gabinete de Cristiano Zanin. Segundo pessoas próximas ao senador, a conversa foi boa e o ministro se mostrou solícito. O encontro ocorreu antes de uma nova sequência de decisões judiciais que colocou o STF e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) novamente no centro da campanha.
Depois da conversa com Zanin, Gilmar Mendes autorizou a participação de Renan Santos, candidato do Missão, no debate da TV Globo. Decisões da ministra Estela Aranha, do TSE, também atingiram a organização do encontro, que acabou cancelado pela emissora. Os episódios aumentaram novamente as críticas do entorno de Flávio Bolsonaro à atuação do Judiciário na disputa eleitoral.
A interlocução de Marinho, porém, começou antes desse episódio. O senador já se encontrou com Gilmar Mendes, André Mendonça e Luiz Fux. Se reunirá, nesta terça-feira, com o presidente do Supremo, Edson Fachin, e deve pedir audiência com Cármen Lúcia.
A tentativa de pacificação tem um limite deliberadamente estabelecido por Marinho. O senador não pretende abandonar as críticas à atuação de Alexandre de Moraes nem retirar da agenda política a discussão sobre seu impeachment. A mensagem transmitida é que restabelecer o diálogo entre Senado e Supremo não significa abrir mão das prerrogativas constitucionais do Congresso nem arquivar os enfrentamentos considerados necessários pelo grupo político.
Há também duas ausências significativas na agenda. Marinho não deverá solicitar encontros com Moraes e Flávio Dino, justamente dois dos ministros mais frequentemente confrontados por sua própria atuação.
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