Voto contra Gonet coloca em dúvida permanência de subprocurador no CNJ
Adonis foi designado por Gonet para representar a PGR no CNJ e votou pela abertura de apuração sobre o procurador-geral

A permanência do subprocurador-geral da República José Adonis Callou de Araújo Sá no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), como representante do procurador-geral da República, Paulo Gonet, passou a ser questionada após o voto favorável à abertura de uma investigação sobre o chefe do Ministério Público Federal.
Adonis foi um dos quatro subprocuradores que defenderam, durante sessão do Conselho Superior do Ministério Público Federal, o avanço da apuração sobre as relações entre Gonet e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Em seu voto, o subprocurador afirmou que as mensagens atribuídas a Vorcaro podem não ser suficientes para estabelecer uma relação entre Gonet e as supostas irregularidades investigadas, mas defendeu que a análise sobre a validade do material não deveria ser feita pelo próprio procurador-geral.
“A análise das mensagens pode até levar à conclusão de que não é possível inferir o envolvimento de Gonet nas tramas de Vorcaro. Inclusive, acho que as mensagens são fracas. Mas a questão é que esse juízo não pode ser feito pelo próprio PGR. Ele não pode pedir a nulidade de um relatório no qual ele próprio é mencionado”, disse em seu voto.
Adonis foi designado pelo próprio Gonet para representar a Procuradoria-Geral da República (PGR) no CNJ desde o início da gestão do procurador-geral, em 2024.
Segundo avaliações na cúpula da instituição, a continuidade do subprocurador no colegiado não está garantida após o voto contrário a Gonet. De acordo com essas fontes, a posição de Adonis surpreendeu e gerou decepção entre integrantes da instituição, que consideram não haver ambiente favorável à permanência dele como representante de Gonet no CNJ.
📸 Andressa Anholete / STF
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