DIESEL A R$ 10 APÓS AS ELEIÇÕES? O GOVERNO LULA PODE IMPOR UM NOVO CHOQUE DE CUSTOS AO AGRONEGÓCIO E À ECONOMIA BRASILEIRA
Por Celso RicardoColunistaPublicado em 27/10/2026, 07:28Atualizado em 27/10/2026, 07:28

DIESEL A R$ 10 APÓS AS ELEIÇÕES? O GOVERNO LULA PODE IMPOR UM NOVO CHOQUE DE CUSTOS AO AGRONEGÓCIO E À ECONOMIA BRASILEIRA
O processo eleitoral terminou, mas uma ameaça econômica começa a ganhar força: a possibilidade de o diesel alcançar R$ 10 por litro após o encerramento dos subsídios federais. Se esse cenário se confirmar, o Brasil poderá enfrentar um novo choque de custos, com consequências diretas para o agronegócio, o transporte, a inflação e o poder de compra da população.
A possibilidade não surgiu de uma especulação sem fundamento. Avaliações atribuídas ao Goldman Sachs apontam que a combinação entre a retirada dos subsídios e a defasagem dos preços dos combustíveis poderia levar o diesel à faixa de R$ 9 a R$ 10 por litro. Isso não significa que o reajuste esteja confirmado, mas demonstra a dimensão do risco que precisa ser enfrentado pelo governo Lula neste período pós-eleitoral.
A QUESTÃO É SIMPLES: O GOVERNO CONSEGUIRÁ EVITAR ESSE CHOQUE OU O BRASILEIRO TERÁ QUE ARCAR COM MAIS UMA ELEVAÇÃO EXPRESSIVA DOS CUSTOS?
O preço médio nacional do diesel S10, de aproximadamente R$ 7,32 por litro na semana de 18 a 24 de outubro de 2026, serve como referência para dimensionar o problema. Caso alcance R$ 10, teremos uma elevação de aproximadamente 36,6% no custo do combustível.
Para uma propriedade rural que consome 100 mil litros de diesel anualmente, isso representa R$ 268 mil adicionais em despesas. São recursos que deixam de financiar investimentos, melhorias tecnológicas, manutenção de equipamentos e compromissos financeiros para cobrir exclusivamente o aumento do combustível.
E estamos falando apenas do consumo direto.
O diesel movimenta praticamente toda a estrutura logística do agronegócio brasileiro. Está presente nas operações agrícolas, no transporte de fertilizantes, sementes, defensivos, rações, animais e produtos agropecuários. Qualquer aumento expressivo provoca repercussões sucessivas sobre os custos operacionais das cadeias produtivas.
Uma simulação baseada em parâmetros de sensibilidade divulgados pela Farsul indica que uma elevação de R$ 2,68 por litro poderia representar aproximadamente R$ 13,9 bilhões em despesas adicionais nas atividades agrícolas consideradas. Trata-se de uma extrapolação econômica, não de uma previsão oficial, mas suficiente para demonstrar a magnitude da exposição financeira do setor.
O PROBLEMA É QUE ESSE POSSÍVEL AUMENTO NÃO ENCONTRARÁ UM AGRONEGÓCIO FINANCEIRAMENTE PREPARADO PARA ABSORVÊ-LO.
O produtor rural já enfrenta endividamento elevado, juros que comprometem sua rentabilidade, dificuldades de acesso ao crédito e limitações na cobertura do seguro rural. Acrescentar um choque dessa magnitude ao custo operacional significa pressionar ainda mais a geração de caixa, a capacidade de pagamento e a preservação patrimonial das propriedades.
O risco não é apenas aumentar as despesas de uma safra. É comprometer a capacidade econômica de produtores que já enfrentam dificuldades para manter suas atividades.
E existe uma consequência ainda mais ampla.
O AUMENTO DO DIESEL NÃO FICA NO CAMPO. ELE CHEGA À MESA DO CONSUMIDOR BRASILEIRO.
O transporte rodoviário é fundamental para o abastecimento nacional. Quando o combustível encarece, aumentam os custos de distribuição, armazenagem e comercialização. Parte dessas despesas pode ser transferida aos preços dos alimentos, pressionando a inflação e reduzindo o poder de compra das famílias.
Isso significa que uma decisão relacionada aos subsídios dos combustíveis poderá produzir consequências que ultrapassam o agronegócio e atingem diretamente a economia brasileira.
É justamente nesse ponto que a responsabilidade do governo Lula precisa ser cobrada com firmeza.
O encerramento de um subsídio não pode ser analisado exclusivamente como uma decisão fiscal. É necessário avaliar os efeitos econômicos sobre as cadeias produtivas, a competitividade nacional, a inflação e a capacidade financeira dos setores que dependem intensamente do transporte rodoviário.
Se o governo optar pela retirada dos benefícios, deverá apresentar com transparência quais mecanismos pretende utilizar para evitar um aumento descontrolado dos custos. Se decidir prorrogá-los, precisará esclarecer o impacto fiscal e a sustentabilidade da medida.
O que não pode acontecer é a população descobrir, depois das eleições, que terá de absorver um choque de preços sem planejamento, previsibilidade ou medidas adequadas de proteção econômica.
O GOVERNO LULA NÃO PODE TRATAR O PREÇO DO DIESEL COMO UM PROBLEMA ISOLADO DA POLÍTICA ENERGÉTICA, IGNORANDO SUAS CONSEQUÊNCIAS SOBRE A PRODUÇÃO, O EMPREGO, A RENDA E A INFLAÇÃO.
A responsabilidade econômica de um governo não termina na administração das contas públicas. Ela também envolve compreender como suas decisões afetam a capacidade de funcionamento da economia nacional.
O agronegócio brasileiro não pode continuar sendo obrigado a absorver sucessivos aumentos de custos sem condições financeiras compatíveis com sua atividade.
E a população não pode continuar exposta ao risco de novas pressões inflacionárias sem respostas claras sobre as medidas que serão adotadas.
A ELEIÇÃO TERMINOU. MAS A CONTA ECONÔMICA DAS DECISÕES DO GOVERNO ESTÁ LONGE DE SER ENCERRADA.
Se o diesel chegar a R$ 10, não estaremos diante de um simples reajuste de combustível. Estaremos diante de um possível choque financeiro que poderá comprometer propriedades rurais, pressionar empresas, encarecer o transporte e atingir o orçamento de milhões de famílias.
O GOVERNO LULA PRECISA RESPONDER: QUAL É O PLANO PARA EVITAR QUE O FIM DOS SUBSÍDIOS SE TRANSFORME EM MAIS UMA CRISE DE CUSTOS PARA O BRASIL?
Porque, se esse cenário se confirmar, a conta poderá ser distribuída por toda a economia brasileira — e quem já enfrenta dificuldades financeiras terá ainda menos condições de suportá-la.
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