POLÍTICA NACIONAL DE EFICIÊNCIA FINANCEIRA DO AGRONEGÓCIO BRASILEIRO (PNEFA)
Por Celso RicardoColunistaPublicado em 27/09/2026, 18:15Atualizado em 27/09/2026, 18:15

POLÍTICA NACIONAL DE EFICIÊNCIA FINANCEIRA DO AGRONEGÓCIO BRASILEIRO (PNEFA)
Transformando produtividade em prosperidade.
Por Celso Ricardo Ferreira – Consultor em Gestão Estratégica em Agronegócio
O agronegócio brasileiro consolidou-se como um dos principais pilares da economia nacional. Entretanto, sua competitividade permanece fortemente dependente da disponibilidade de crédito rural, especialmente do crédito de custeio, da expansão contínua da produção física e da exportação de commodities com baixo valor agregado.
Ao mesmo tempo, o crescimento da dívida pública, as restrições fiscais e o elevado endividamento de parcela significativa dos produtores rurais impõem novos desafios à sustentabilidade econômica da produção agropecuária.
Diante desse cenário, torna-se necessária a implantação de uma política nacional voltada ao fortalecimento da eficiência financeira das propriedades rurais brasileiras.
Objetivo Geral
Transformar a eficiência financeira em um dos principais pilares da política agrícola brasileira, reduzindo a vulnerabilidade econômica do setor e aumentando sua capacidade de gerar riqueza de forma sustentável.
Objetivos Estratégicos
• aumentar a rentabilidade das propriedades rurais;
• reduzir a dependência estrutural do crédito rural;
• fortalecer a geração de valor agregado;
• melhorar os indicadores financeiros do produtor;
• aumentar a competitividade internacional;
• reduzir riscos financeiros nas cadeias produtivas;
• ampliar a segurança alimentar nacional.
Os sete pilares da política
1. Inteligência Econômica Rural
Criação de um sistema nacional de monitoramento permanente da eficiência financeira do agronegócio.
2. Gestão Financeira das Propriedades
Capacitação nacional em:
custos;
fluxo de caixa;
indicadores financeiros;
investimentos;
planejamento.
3. Nova Geração do Plano Safra
O Plano Safra deixaria de ser medido apenas pelo volume anunciado.
Passaria a incorporar indicadores como:
eficiência do crédito;
velocidade da contratação;
retorno econômico do financiamento;
aumento da renda do produtor.
4. Política Nacional de Agregação de Valor
Incentivos para:
industrialização;
carnes premium;
leite de maior valor agregado;
biotecnologia;
certificações;
alimentos especiais.
5. Diversificação dos Mercados
Redução da dependência comercial de poucos compradores internacionais.
6. Indicadores Econômicos Nacionais
Aqui entra o seu projeto.
O Governo Federal passaria a medir oficialmente:
eficiência financeira;
produtividade financeira;
retorno econômico;
competitividade financeira.
Não apenas toneladas produzidas.
7. Observatório Econômico do Agro
Um centro permanente responsável por acompanhar:
custos;
crédito;
endividamento;
logística;
competitividade;
mercados.
Meta Nacional
Não aumentar apenas a produção.
Aumentar a riqueza gerada por cada hectare, por cada litro de leite, por cada arroba produzida e por cada real investido no campo.
Resultado esperado
Um agronegócio menos dependente do crescimento contínuo do volume produzido, menos vulnerável às oscilações fiscais do Estado, mais eficiente financeiramente, mais competitivo internacionalmente e mais preparado para gerar desenvolvimento econômico sustentável.
“O maior risco para o agronegócio brasileiro nos próximos quatro anos não é apenas climático ou comercial. É financeiro.”
Celso Ricardo Ferreira
Se o próximo governo assumir um cenário de dívida pública elevada, restrição fiscal, produtores altamente endividados e custo de capital ainda elevado, será necessário mudar o foco das políticas públicas. O desafio deixará de ser anunciar mais recursos e passará a ser utilizá-los de forma mais eficiente.
Na minha visão, as prioridades seriam as seguintes:
1. Reestruturação imediata do crédito rural
O crédito de custeio precisa ser tratado como uma política de segurança alimentar.
Sem capital para plantar, não existe produção.
O governo deveria criar um programa extraordinário de reestruturação financeira para produtores economicamente viáveis, permitindo alongamento de dívidas, redução da pressão de curto prazo e retomada da capacidade produtiva.
O objetivo não seria apenas aliviar o caixa do produtor, mas preservar a produção nacional de alimentos.
2. Reforma completa do Plano Safra
O Plano Safra precisa deixar de ser avaliado apenas pelo volume anunciado.
Os novos indicadores deveriam medir:
percentual efetivamente contratado;
tempo médio para liberação do crédito;
custo financeiro final ao produtor;
índice de cobertura por cultura;
percentual de produtores atendidos.
O sucesso do Plano Safra deve ser medido pela sua efetividade, e não apenas pelo montante divulgado.
3. Programa Nacional de Eficiência Financeira Rural
O Brasil possui inúmeros programas voltados à produtividade.
Falta um programa nacional voltado à eficiência econômica.
Esse programa poderia oferecer:
gestão financeira;
fluxo de caixa;
indicadores econômicos;
análise de investimentos;
planejamento financeiro;
inteligência de custos.
O foco seria aumentar a rentabilidade, não apenas a produção.
4. Nova política de agregação de valor
O Brasil precisa reduzir sua dependência da exportação de commodities.
Isso exige incentivos para:
industrialização;
processamento de alimentos;
carnes premium;
lácteos de maior valor agregado;
bioeconomia;
alimentos funcionais;
certificações.
Quanto maior o valor agregado, menor a dependência de expansão contínua do volume produzido.
5. Diversificação internacional
Hoje existe elevada concentração das exportações em alguns grandes compradores.
O país deveria desenvolver uma estratégia permanente de abertura de mercados, reduzindo riscos comerciais e ampliando oportunidades para produtos de maior valor agregado.
6. Programa Nacional de Infraestrutura do Agro
A competitividade brasileira continua limitada por gargalos logísticos.
Seria necessário acelerar investimentos em:
armazenagem;
ferrovias;
hidrovias;
rodovias;
terminais;
portos.
O custo logístico precisa deixar de ser uma desvantagem estrutural.
7. Seguro rural robusto
O produtor brasileiro não pode continuar assumindo sozinho riscos climáticos.
É necessário ampliar:
cobertura;
previsibilidade;
rapidez nas indenizações;
estabilidade orçamentária.
8. Programa Nacional de Sanidade Econômica
O Brasil deveria ampliar investimentos em programas de prevenção e controle de doenças que afetam a competitividade econômica da pecuária, fortalecendo a vigilância sanitária, a pesquisa e a avaliação do impacto econômico dessas enfermidades.
9. Inteligência econômica do agronegócio
Criar um centro nacional dedicado ao monitoramento de:
custos de produção;
competitividade;
riscos geopolíticos;
mercados;
logística;
indicadores financeiros.
Políticas públicas precisam ser formuladas com base em dados atualizados.
10. Reforma tributária voltada à competitividade
Toda política tributária aplicada ao agro deveria ser acompanhada de estudos que demonstrem seu impacto sobre:
custos de produção;
investimentos;
exportações;
renda do produtor.
O objetivo é evitar perda de competitividade.
11. Política Nacional de Eficiência Econômica
Na minha avaliação, este seria o ponto mais transformador.
O Brasil precisa deixar de definir o sucesso do agronegócio apenas por indicadores como:
toneladas produzidas;
hectares cultivados;
sacas colhidas;
volume exportado.
Esses indicadores continuam importantes, mas são insuficientes para orientar políticas públicas.
O país deveria incorporar métricas como:
rentabilidade da propriedade;
retorno sobre o capital investido;
produtividade financeira por hectare;
geração de valor agregado;
eficiência econômica das cadeias produtivas.
Essa mudança permitiria avaliar o desenvolvimento do agro por sua capacidade de gerar riqueza de forma sustentável, e não apenas pelo aumento da produção física.
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