Reforma agrária no Brasil: ideologia, fracasso e a ameaça às terras produtivas
Por Celso RicardoColunistaPublicado em 28/09/2026, 08:15Atualizado em 28/09/2026, 08:15

Reforma agrária no Brasil: ideologia, fracasso e a ameaça às terras produtivas
Por Celso Ricardo Ferreira – Consultor em Gestão Estratégica em Agronegócio
O que Lula anunciou em Salvador, diante do MST, não é política social.
É política ideológica. E o Brasil já conhece muito bem esse filme.
O próprio ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, confirmou: o governo está pronto para acelerar desapropriações de terras, inclusive terras produtivas. Isso não foi um deslize retórico. Foi um recado claro, dado em um ato político, com bandeiras vermelhas, palavras de ordem e milhares de militantes mobilizados.
O problema é que a reforma agrária brasileira já foi testada — e fracassou.
O Brasil destinou mais de 88 milhões de hectares para assentamentos rurais ao longo das últimas décadas. Desse total, apenas cerca de 30% apresentam algum nível de produção. Os outros 70% estão abandonados, subutilizados ou fora de qualquer dinâmica econômica relevante. Isso não é opinião: são dados reiterados por auditorias, estudos acadêmicos e levantamentos do próprio Estado.
Ou seja: não é falta de terra.
É falta de modelo, de gestão e de compromisso com produção.
Mesmo assim, Lula insiste em retomar esse projeto não para gerar renda, não para incluir economicamente, não para produzir alimentos, mas para alimentar uma base ideológica que sempre funcionou como instrumento político do PT.
Se a preocupação fosse social, o governo estaria:
investindo nos assentamentos já existentes;
oferecendo assistência técnica real;
garantindo acesso a crédito, mercado e infraestrutura;
transformando assentados em produtores viáveis.
Nada disso acontece.
Nunca aconteceu.
O resultado sempre foi o mesmo:
invasões, conflitos, insegurança jurídica, destruição de valor e abandono.
E agora o cenário é ainda mais grave.
Mais de 5 mil integrantes do MST se reuniram em Salvador, vindos de vários estados do Brasil, já organizados para uma nova onda de invasões. Não é boato. É fato. A articulação foi pública, política e incentivada por declarações do próprio presidente da República.
Isso não é reforma agrária.
Isso é instabilidade fundiária planejada.
E onde está o ministro da Agricultura diante disso?
Carlos Fávaro, que deveria ser a voz institucional do produtor rural, simplesmente se cala. Não enfrenta o discurso, não defende a propriedade produtiva, não reage às ameaças de desapropriação. Age como figurante de um governo que o colocou ali não por competência técnica, mas por acordo político.
O Ministério da Agricultura, hoje, não protege o produtor.
Assiste passivamente à construção de um ambiente hostil ao campo.
O Brasil não precisa de mais reforma agrária.
Precisa de produção, segurança jurídica, crédito, tecnologia e renda no campo.
Atacar terras produtivas, em um país que já provou o fracasso desse modelo, não é política pública.
É retrocesso ideológico, com custo econômico real.
E, como sempre, quem paga a conta:
é o produtor;
é o emprego rural;
é a oferta de alimentos;
é a economia do interior do Brasil.
A pergunta que precisa ser feita é simples:
Até quando o país vai repetir um erro que já se mostrou caro, improdutivo e socialmente irresponsável?
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