TEREZA CRISTINA MANTÉM CANDIDATURA AO SENADO, DIVIDE A OPOSIÇÃO E PODE FAVORECER A REELEIÇÃO DE ALCOLUMBRE
Por Celso RicardoColunistaPublicado em 03/11/2026, 14:47Atualizado em 03/11/2026, 14:47

TEREZA CRISTINA MANTÉM CANDIDATURA AO SENADO, DIVIDE A OPOSIÇÃO E PODE FAVORECER A REELEIÇÃO DE ALCOLUMBRE
Por Celso Ricardo Ferreira – Consultor em Gestão Estratégica em Agronegócio
A disputa pela Presidência do Senado Federal em 2027 apresenta um cenário político que merece atenção. A decisão de Tereza Cristina de manter sua candidatura, mesmo diante da tentativa de unificação com Rogério Marinho, cria uma divisão dentro do campo parlamentar que pretende impedir a recondução de Davi Alcolumbre.
A questão não é simplesmente a existência de três candidatos. O problema político está na dificuldade de construir uma estratégia comum entre parlamentares que afirmam defender mudanças na condução do Senado.
Tereza Cristina e Rogério Marinho chegaram a discutir a possibilidade de uma candidatura única, mas não alcançaram um acordo. Agora, ambos permanecem na disputa, enquanto Alcolumbre trabalha pela continuidade de sua presidência.
A fragmentação das candidaturas pode favorecer Alcolumbre, mas também pode representar uma tentativa de atrair senadores que não apoiariam nem sua reeleição nem a candidatura de Marinho.
Essa segunda possibilidade é justamente o argumento apresentado pelos aliados de Tereza Cristina, que enxergam nela uma alternativa com maior capacidade de diálogo entre a oposição e o Centrão.
Entretanto, a existência dessa estratégia não elimina a necessidade de esclarecer quais são os compromissos políticos da senadora.
Tereza Cristina já declarou maior alinhamento com Rogério Marinho por se identificar como uma liderança de centro-direita. Também manifestou anteriormente o desejo de suceder Alcolumbre na Presidência do Senado.
Agora, diante de uma disputa que envolve projetos políticos diferentes, a senadora precisa explicar como pretende conciliar essas posições e quais prioridades efetivamente defenderá caso seja eleita.
A questão do impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal evidencia uma diferença importante.
Rogério Marinho apresenta essa agenda como uma das prioridades políticas de sua candidatura. Tereza Cristina, embora tenha participado de uma representação contra Alexandre de Moraes, defende que o Senado não concentre sua atuação prioritariamente nesse tema.
É uma divergência concreta de prioridades, que precisa ser examinada por quem acompanha a disputa.
Apoiar uma representação contra um ministro do STF não significa assumir o compromisso de priorizar sua tramitação na Presidência do Senado.
Também não seria correto presumir que a senadora bloquearia automaticamente esses processos. Sua posição exige esclarecimentos sobre os critérios jurídicos, institucionais e políticos que pretende adotar.
Mas a análise de sua candidatura não pode ficar restrita ao Supremo Tribunal Federal.
Existe outra dimensão igualmente importante: sua trajetória como ministra da Agricultura e a expectativa de que sua eventual presidência represente avanços concretos para os produtores rurais brasileiros.
Tereza Cristina comandou o Ministério da Agricultura entre 2019 e 2022. Durante sua gestão, foram promovidas iniciativas de financiamento rural, abertura comercial e modernização de instrumentos ligados ao agronegócio.
Essas medidas integram seu histórico administrativo, mas não encerram a avaliação sobre os resultados efetivamente alcançados dentro das propriedades rurais.
O Brasil precisa superar a ideia de que ampliar exportações, anunciar bilhões em financiamentos ou aumentar a produção representa, necessariamente, melhorar a situação econômica do produtor.
Produção recorde não significa rentabilidade recorde. Crédito anunciado não significa recuperação financeira. E abertura de mercados não garante maior remuneração para quem assume os riscos da produção.
É justamente nesse ponto que a trajetória ministerial de Tereza Cristina precisa ser submetida a uma avaliação econômica mais rigorosa.
Quais foram os resultados concretos de suas políticas na redução do custo de produção? Quanto avançou a proteção financeira contra perdas climáticas? Quais mecanismos permanentes foram estabelecidos para enfrentar o endividamento e preservar a capacidade de pagamento das propriedades?
A política agrícola brasileira continua enfrentando problemas estruturais relacionados a juros, custos operacionais, infraestrutura, armazenagem, seguro rural e relações comerciais.
Esses problemas atravessam diferentes governos e não podem ser atribuídos exclusivamente à gestão de uma ministra. Mas também não podem ser ignorados quando uma ex-ministra apresenta sua experiência no agronegócio como credencial política.
A experiência de comandar o Ministério da Agricultura precisa ser avaliada não apenas pelas políticas anunciadas, mas pelos resultados econômicos que essas políticas efetivamente produziram para quem trabalha no campo.
E essa cobrança se torna ainda mais importante quando se discute a Presidência do Senado.
O Senado tem influência direta sobre a legislação tributária, o financiamento rural, a política fiscal, o seguro agrícola, a infraestrutura e diversas decisões que interferem na competitividade do agronegócio.
Portanto, uma candidatura que reivindica identificação com o setor precisa apresentar compromissos claros com a recuperação financeira dos produtores, e não apenas com o crescimento dos negócios vinculados à cadeia agroindustrial.
Existe uma diferença fundamental entre representar politicamente o agronegócio e assegurar que os interesses econômicos do produtor rural sejam contemplados nas decisões nacionais.
A defesa do setor não pode se limitar à indústria, às instituições financeiras, aos grandes grupos comerciais ou aos indicadores agregados de produção e exportação.
Precisa alcançar a realidade das propriedades rurais, especialmente aquelas que enfrentam dificuldades de liquidez, margens reduzidas e endividamento.
O produtor rural precisa saber quais resultados econômicos poderá cobrar de uma eventual Presidência do Senado comandada por Tereza Cristina.
Ao mesmo tempo, os parlamentares que defendem mudanças na condução institucional do Senado precisam esclarecer como pretendem superar a divisão entre suas candidaturas.
A manutenção de Tereza Cristina na disputa pode dificultar a formação de uma candidatura única em torno de Rogério Marinho. Mas o efeito final dependerá dos apoios efetivos, das negociações partidárias e dos votos secretos dos senadores.
Não há, neste momento, fundamento para afirmar que sua candidatura garantirá a vitória de Alcolumbre.
O que existe é uma disputa aberta, na qual as divergências entre candidatos que procuram apoio na oposição podem interferir diretamente na formação de uma maioria parlamentar.
A questão central não é apenas quem ocupará a Presidência do Senado, mas quais compromissos institucionais e econômicos serão assumidos por quem conquistar esse cargo.
Tereza Cristina tem o direito de manter sua candidatura. Rogério Marinho tem o direito de apresentar uma agenda distinta. E ambos precisam explicar de maneira transparente suas prioridades, suas alianças e os resultados que pretendem entregar.
Para o agronegócio, a exigência deve ser ainda mais objetiva: não basta uma liderança possuir trajetória no setor. É necessário apresentar medidas verificáveis de redução dos custos de produção, recuperação da capacidade financeira, fortalecimento do seguro rural e melhoria da rentabilidade.
O Brasil não precisa transformar a Presidência do Senado em mais uma disputa de articulações políticas sem compromissos mensuráveis com os problemas econômicos nacionais.
A sociedade precisa conhecer as propostas. O Congresso precisa esclarecer suas prioridades. E o produtor rural precisa saber como suas necessidades serão representadas.
Porque conquistar a Presidência do Senado é uma vitória política. Transformar essa posição em resultados econômicos concretos para o país e para o produtor rural é uma responsabilidade muito maior.
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