Fundo garantidor do Paraguai pode comprometer 53% dos recursos com crise do Ueno
Depósitos cobertos da instituição somavam 5,08 trilhões de guaranis em setembro, o equivalente a 53% dos recursos administrados pelo Fundo de Garantia de Depósitos do país

A crise do Ueno Bank pode comprometer mais da metade dos recursos do Fundo de Garantia de Depósitos (FGD) do Paraguai. Segundo os balanços oficiais mais recentes, referentes a setembro de 2026, os depósitos garantidos da instituição somavam 5,08 trilhões de guaranis, enquanto o fundo administrava 9,54 trilhões de guaranis. O valor corresponde a aproximadamente 53% dos recursos disponíveis.
O cálculo considera o pagamento integral dos depósitos protegidos, mas não representa necessariamente o custo final da operação. Parte dos valores poderá ser recuperada durante o processo de resolução do banco ou transferida para outras instituições financeiras. Ainda não há uma estimativa definitiva sobre o custo da intervenção nem sobre quanto poderá ser recuperado com os ativos do Ueno.
No Paraguai, o FGD funciona de maneira semelhante ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) brasileiro e assegura cobertura de até 228,3 milhões de guaranis por depositante, equivalente a cerca de R$ 203 mil. Uma estimativa preliminar do Banco Central paraguaio indica que 97% dos clientes do Ueno poderão recuperar integralmente seus recursos. Em valores, porém, apenas 30% dos depósitos da instituição estavam dentro do limite de cobertura.
Diferentemente do FGC brasileiro, que é uma entidade privada, o fundo paraguaio é administrado diretamente pelo Banco Central do país, embora tenha patrimônio e contabilidade separados da autoridade monetária. Criado em 2003, o FGD recebe contribuições obrigatórias das instituições financeiras, equivalentes a 0,12% dos depósitos médios a cada trimestre, além de ter contado com financiamento público em sua formação.
A legislação paraguaia prevê mecanismos de financiamento público caso os recursos do fundo sejam insuficientes, incluindo a emissão de títulos lastreados em contribuições futuras do setor bancário.
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