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Brasil

LULA COMEMORA BILHÕES NA GLOBO, ENQUANTO O BRASIL ENFRENTA INFRAESTRUTURA PRECÁRIA, LOGÍSTICA CARA E JUROS ELEVADOS

Celso Ricardo

Por Celso RicardoColunistaPublicado em 24/10/2026, 14:03Atualizado em 24/10/2026, 14:03

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LULA COMEMORA BILHÕES NA GLOBO, ENQUANTO O BRASIL ENFRENTA INFRAESTRUTURA PRECÁRIA, LOGÍSTICA CARA E JUROS ELEVADOS

LULA COMEMORA BILHÕES NA GLOBO, ENQUANTO O BRASIL ENFRENTA INFRAESTRUTURA PRECÁRIA, LOGÍSTICA CARA E JUROS ELEVADOS

O DISCURSO POLÍTICO E A REALIDADE ECONÔMICA BRASILEIRA

Por: Celso Ricardo Ferreira – Consultor em Gestão Estratégica em Agronegócio

No debate presidencial da Rede Globo, Lula apresentou investimentos em infraestrutura, projetos logísticos, abertura comercial, financiamento e combate à fome como resultados de seu governo. Entretanto, a utilização desses indicadores para demonstrar desenvolvimento econômico exige um confronto com a realidade brasileira.

O problema central dessa narrativa é apresentar programas, recursos financeiros e anúncios governamentais sem demonstrar, na mesma proporção, resultados concretos na redução dos custos de produção, na competitividade das empresas, na recuperação financeira dos produtores e na melhoria estrutural da economia.

1. INFRAESTRUTURA — O GOVERNO ANUNCIA BILHÕES, MAS OS GARGALOS CONTINUAM

Lula destacou os investimentos em infraestrutura, mas o Brasil continua enfrentando graves deficiências em rodovias, ferrovias, armazenagem e integração regional.

O governo precisa explicar quanto dos investimentos anunciados corresponde a obras efetivamente concluídas, quais problemas foram solucionados e quanto os custos operacionais foram reduzidos.

Não basta apresentar valores previstos ou contratados. O setor produtivo precisa de infraestrutura funcionando, capacidade de transporte e redução dos prejuízos provocados pelos gargalos estruturais.

O discurso dos bilhões não responde à precariedade que continua comprometendo a eficiência econômica brasileira.

2. LOGÍSTICA — O BRASIL CONTINUA PAGANDO CARO PARA TRANSPORTAR SUA PRODUÇÃO

O sistema logístico brasileiro permanece excessivamente dependente do transporte rodoviário, enquanto a insuficiência de ferrovias e de integração entre modais compromete a competitividade nacional.

O governo Lula precisa explicar por que o país ainda depende de projetos ferroviários que não se transformaram em capacidade operacional suficiente para atender à produção brasileira.

As negociações envolvendo empresas chinesas em projetos ferroviários também exigem respostas. Quais serão as condições de financiamento? Quem controlará a operação? Como serão definidos os custos de transporte? Quais benefícios econômicos serão efetivamente assegurados aos produtores brasileiros?

O problema não é simplesmente a origem estrangeira dos investimentos. É a ausência de resultados logísticos suficientes para superar deficiências que permanecem há décadas.

O produtor brasileiro não precisa de anúncios de corredores ferroviários. Precisa de transporte eficiente, fretes competitivos e infraestrutura que reduza seus custos.

3. TARIFAS DOS ESTADOS UNIDOS — O GOVERNO LULA PRECISA RESPONDER PELOS CUSTOS QUE O PRÓPRIO BRASIL IMPÕE À PRODUÇÃO

No debate da Globo, Lula criticou as tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos. Entretanto, essa discussão deixou de enfrentar um problema interno: a estrutura tributária brasileira, associada aos juros elevados, à burocracia e aos custos logísticos, compromete a competitividade dos nossos produtores antes mesmo de seus produtos chegarem ao mercado internacional.

A crítica às tarifas norte-americanas não elimina a responsabilidade do governo brasileiro pelos custos que sua própria política econômica ajuda a sustentar.

O produtor rural enfrenta despesas tributárias diretas e indiretas, custos financeiros, exigências burocráticas e dificuldades estruturais que pressionam sua margem de rentabilidade.

Embora as exportações brasileiras contem com mecanismos legais de desoneração tributária, isso não significa que todos os custos acumulados ao longo das cadeias produtivas sejam integralmente eliminados.

É justamente nesse ponto que o discurso presidencial precisa ser confrontado.

O Brasil não precisa esperar uma sobretaxa estrangeira para enfrentar dificuldades de competitividade. Parte dessas dificuldades já é produzida dentro do próprio país.

O governo Lula precisa explicar por que critica as barreiras comerciais externas sem apresentar resultados suficientes na redução dos custos internos que comprometem a produção nacional.

Não basta condenar o tarifaço dos Estados Unidos enquanto o próprio Brasil mantém custos tributários, financeiros e burocráticos que penalizam seus produtores.

4. TAXA SELIC — O CUSTO DO DINHEIRO CONTINUA PRESSIONANDO A PRODUÇÃO BRASILEIRA

Lula destacou as condições dos financiamentos subsidiados, mas essa argumentação não responde ao problema mais amplo do elevado custo do capital no Brasil.

A taxa Selic é definida pelo Banco Central, considerando a inflação, as expectativas econômicas e as condições monetárias. Entretanto, a política fiscal do governo federal também influencia as expectativas, o risco econômico e as condições necessárias à redução sustentável dos juros.

O governo não pode tratar o financiamento subsidiado como se ele eliminasse as dificuldades enfrentadas pelos produtores que dependem de crédito comercial, capital de giro e operações fora das linhas oficiais.

Juros elevados pressionam investimentos, encarecem financiamentos e comprometem a capacidade de pagamento de empresas e propriedades rurais.

O problema não se resolve anunciando bilhões em crédito quando parte da produção enfrenta dificuldades para gerar caixa suficiente para cumprir suas obrigações financeiras.

O governo precisa responder pelo ambiente econômico que ajuda a construir, e não apenas apresentar o volume de financiamentos que anuncia.

5. COMBATE À FOME — O DISCURSO SOCIAL NÃO ELIMINA OS PROBLEMAS ECONÔMICOS DAS FAMÍLIAS BRASILEIRAS

Lula destacou os resultados das políticas de combate à fome, mas o debate sobre segurança alimentar não pode ser reduzido à apresentação de indicadores governamentais.

A saída do Brasil do Mapa da Fome, confirmada pela FAO, não significa que a insegurança alimentar tenha sido eliminada, nem que todas as famílias brasileiras possuam renda suficiente para manter uma alimentação adequada e permanente.

A permanência de famílias em situação de vulnerabilidade exige discutir renda, emprego, preços dos alimentos, oportunidades econômicas e capacidade de consumo.

Também exige enfrentar as dificuldades financeiras dos próprios produtores rurais, responsáveis por sustentar a oferta de alimentos.

O governo precisa demonstrar como pretende reduzir a dependência econômica das famílias vulneráveis e fortalecer condições permanentes de geração de renda.

Combater a fome não pode significar apenas administrar a vulnerabilidade social. É necessário enfrentar as condições econômicas que mantêm milhões de brasileiros dependentes de políticas de assistência.

CONCLUSÃO — ANUNCIAR BILHÕES NÃO É O MESMO QUE ENTREGAR DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO

O discurso apresentado por Lula no debate da Rede Globo precisa ser confrontado com os resultados efetivamente alcançados pela economia brasileira.

O país continua enfrentando deficiências estruturais, custos logísticos elevados, dificuldades de competitividade, restrições financeiras e problemas de renda.

Nenhum desses problemas desaparece porque o governo anuncia investimentos, financiamentos ou programas públicos.

O Brasil precisa de uma política econômica capaz de reduzir custos, ampliar a eficiência produtiva, fortalecer a capacidade financeira das empresas e dos produtores e garantir condições sustentáveis de desenvolvimento.

A questão central não é quanto dinheiro o governo anuncia, mas quanto de eficiência econômica consegue entregar à sociedade brasileira.

Enquanto o debate político continuar concentrado nos valores dos programas governamentais, sem apresentar indicadores suficientes de seus resultados, permanecerá uma distância entre a narrativa presidencial e os problemas enfrentados pela produção nacional.

O Brasil não precisa de uma contabilidade de promessas. Precisa de uma contabilidade de resultados econômicos concretos.

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