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O BRASIL ESTÁ ENCARECENDO A PRODUÇÃO DE ALIMENTOS E AGORA QUER TRIBUTAR ATÉ O DINHEIRO QUE FINANCIA O AGRONEGÓCIO

Celso Ricardo

Por Celso RicardoColunistaPublicado em 04/11/2026, 05:15Atualizado em 04/11/2026, 05:15

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O BRASIL ESTÁ ENCARECENDO A PRODUÇÃO DE ALIMENTOS E AGORA QUER TRIBUTAR ATÉ O DINHEIRO QUE FINANCIA O AGRONEGÓCIO

O BRASIL ESTÁ ENCARECENDO A PRODUÇÃO DE ALIMENTOS E AGORA QUER TRIBUTAR ATÉ O DINHEIRO QUE FINANCIA O AGRONEGÓCIO

Por Celso Ricardo Ferreira – Consultor em Gestão Estratégica em Agronegócio

O Brasil está diante de uma contradição econômica extremamente preocupante: exige que o produtor rural continue investindo, produzindo, gerando empregos e abastecendo o mercado, mas mantém uma estrutura de custos, tributação e financiamento que ameaça justamente a capacidade de continuar produzindo.

A carga tributária bruta brasileira alcançou 32,4% do PIB em 2025. Esse percentual representa o peso da arrecadação nacional sobre a economia, mas ajuda a dimensionar o ambiente tributário em que estão inseridas as atividades produtivas. Enquanto isso, o produtor rural enfrenta despesas crescentes com fertilizantes, defensivos, combustíveis, máquinas, energia, transporte, mão de obra e financiamento.

E agora surge mais um risco: o governo Lula estuda a possibilidade de cobrar IOF sobre instrumentos de investimento que ajudam a financiar o agronegócio, especialmente as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) e os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA).

Estamos falando da possibilidade de tributar não apenas atividades econômicas, mas também mecanismos responsáveis por captar recursos para financiar a própria produção.

O problema econômico é profundo. Quando se aumenta a tributação sobre instrumentos de captação, existe o risco de reduzir sua atratividade para investidores, elevar o custo dos recursos financeiros e transferir parte desse encarecimento para quem necessita de crédito.

O produtor que já enfrenta margens comprimidas poderá encontrar financiamentos ainda mais caros, justamente quando precisa recuperar sua capacidade de investimento e pagamento.

O Brasil corre o risco de transformar o financiamento da produção em mais uma fonte de arrecadação, sem resolver os problemas estruturais que comprometem a rentabilidade de quem produz.

A consequência potencial não se limita ao agronegócio. Quando o custo financeiro aumenta, projetos deixam de ser economicamente viáveis, investimentos são adiados, a modernização das propriedades perde velocidade e a capacidade produtiva fica pressionada.

Isso pode alcançar toda a cadeia econômica: agricultura, pecuária, cooperativas, agroindústrias, transportadores, distribuidores e consumidores.

Existe uma questão que precisa ser enfrentada com responsabilidade: não basta avaliar quanto o governo poderá arrecadar com um novo imposto. É necessário calcular quanto essa arrecadação poderá custar em investimentos, produção, empregos, competitividade e preços dos alimentos.

O Brasil precisa compreender que a capacidade de produzir alimentos depende de empresas rurais financeiramente sustentáveis. Nenhum produtor consegue manter sua atividade indefinidamente quando o custo de produção, o custo do capital e suas obrigações financeiras crescem mais rapidamente do que sua capacidade de gerar resultados.

Produzir mais não significa ganhar mais. Exportar mais não significa recuperar margens. E arrecadar mais impostos não significa fortalecer a economia.

A discussão sobre o IOF revela um problema maior: a ausência de uma política econômica suficientemente integrada para avaliar os efeitos acumulados da tributação, dos juros e dos custos operacionais sobre a capacidade financeira do produtor rural.

Se o Brasil continuar encarecendo a produção e os instrumentos que a financiam, poderá comprometer sua própria competitividade agropecuária, reduzir investimentos e ampliar a vulnerabilidade econômica de milhares de propriedades.

O maior risco não é apenas o produtor deixar de ganhar dinheiro. É chegar ao ponto em que produzir alimentos deixe de ser economicamente viável para uma parcela crescente das propriedades rurais brasileiras.

E quando produzir deixa de ser viável, o problema deixa de ser exclusivamente do campo e passa a atingir toda a sociedade.

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