A China está perdendo com Lula, mas quer ganhar o próximo governo
Por Paulo Henrique (PHVox)ColunistaPublicado em 14/10/2026, 18:54Atualizado em 14/10/2026, 18:54

O Partido Comunista Chinês era, até o domingo do primeiro turno, o partido mais poderoso do Brasil. Porém, isso começou a mudar. Muitos de seus principais representantes foram derrotados nas eleições para o Senado e Câmara. O candidato presidencial preferido pelo PCCh ficou atrás e continua atrás nas pesquisas para o segundo turno. Mas os comunistas nunca colocam todos os ovos numa mesma cesta. Já começou, ou melhor, intensificou-se a campanha do PCCh para ocupar postos-chave num eventual governo de Flávio Bolsonaro.
Muitas pessoas não se dão conta de quanto a influência chinesa é um dos pilares centrais na estrutura de poder reinante no Brasil e que agora temos a chance de desmantelar. Desde 2002, com a primeira eleição de Lula, a China veio se tornando o lastro econômico e ideológico do regime corrupto brasileiro. O PT e seus aliados sempre souberam que, enquanto o Brasil tivesse suas principais relações econômicas com um país democrático de economia aberta como os EUA, essas relações sempre poderiam funcionar a favor de um modelo também democrático de livre mercado no Brasil, e, portanto, contra o modelo de controle centralizado corrupto que o PT pretendia implantar. Desde o começo, portanto, o regime lulista se dedicou a criar propositalmente uma crescente dependência econômica para com a China - o que implicou o sucateamento da indústria brasileira pela importação de produtos chineses (imensamente facilitada pelo absurdo reconhecimento da China como economia de mercado já em 2004, que na prática nos impediu de aplicar instrumentos de defesa comercial contra as importações chinesas), bem como a concentração de nossa economia no agro, transformado em principal veículo da influência do Partido Comunista Chinês em nosso país.
Enquanto isso, as relações econômicas com os EUA eram reprimidas, também propositalmente, tendo como resultado o alijamento do Brasil das cadeias produtivas de alta tecnologia. Basicamente, o trato consistiu na aceitação pelo Brasil da condição de grande fazenda alimentadora da população chinesa, em troca do apoio chinês ao estabelecimento e consolidação do regime lulo-corrupto brasileiro. Se o Brasil gira em torno do agro e o agro gira em torno da China, o Brasil obviamente gira em torno da China, e a consequência disso está agora totalmente visível: não apenas a concentração dos fluxos de comércio e investimentos em favor dos chineses, mas também a progressiva adoção no Brasil do modelo chinês de censura, perseguição, “capitalismo de Estado” (ou seja, o mercado controlado pela política e servo da corrupção) e controle social. Esse modelo se implantou nos três poderes brasileiros, se infiltrou na mídia, no empresariado, no setor financeiro, nas Forças Armadas, nos partidos tanto de esquerda quanto de centro e de “direita”. Quando o decano no STF afirmou em público, numa sessão do tribunal, que “aqui somos todos admiradores do regime chinês”, revelou ao Brasil a realidade, a fonte de inspiração e, sobretudo, a fonte de poder do sistema que o STF ajudou tanto a enfiar goela abaixo dos brasileiros.
Pois os brasileiros estão cuspindo para fora esse sistema, nas urnas.
Até agora, a China mandava no Brasil. Ainda manda e quer continuar mandando. O mando da China no Brasil é a face externa do poder do aparato corrupto que domina internamente o Brasil. A China manda no Brasil porque se construiu um esquema “ganha-ganha” (como o próprio PCCh gosta muito de dizer). Ganha a China porque, no seu projeto hegemônico mundial, tem à sua disposição o celeiro agrícola brasileiro. Ganha o aparato corrupto brasileiro porque tem na China um patrão muito rico e totalmente conivente com a bandalheira, o roubo, o crime, com a perpetuação do poder do aparato. A elite corrupta brasileira serve à China; a China retribui garantindo o poder da elite corrupta no Brasil.
Simples e prático. Se alguém reclamar, você o chama de “ideológico” e o desqualifica. (“Ideológico” no Brasil é quem não quer que a China continue ajudando o regime brasileiro a roubar e censurar.) Se alguém tenta confrontar a influência do PCCh na construção de um modelo totalitário e criminoso no Brasil, os donos do poder já começam a chantagem: “ih, não pode não, a China vai cortar nossas exportações”. Se alguém propõe ingressar numa aliança com os EUA e todos os vizinhos sul-americanos para combater o crime organizado, que, inevitavelmente, se for implementada, vai chegar ao grande núcleo do crime, que é a corrupção organizada e seus patrocinadores e garantidores chineses, o sistema se apavora e grita: “temos que nos afastar do trumpismo; precisamos manter o equilíbrio em nossas relações com os diferentes blocos”.
Equilíbrio? Esse tipo de “equilíbrio” significa: mesmo num governo de direita, continuar fazendo aquilo que o governo de esquerda faz, ou seja, servir à China, enquanto a China sustenta a roubalheira dos donos do poder brasileiros. Significa manter essa aliança nefasta, espúria, vergonhosa entre os corruptos nacionais e os comunistas de Pequim.
“Ah, mas e o agro?” O agro tem de ser motor da liberdade e prosperidade do povo brasileiro, não instrumento de chantagem de comunistas, não a porta de entrada do controle social totalitário, não o último trunfo dos corruptos encurralados. Quem sacrifica a liberdade para vender soja não terá liberdade nem venderá soja. De fato, a China está adquirindo, direta ou indiretamente, as terras agricultáveis brasileiras e controlando todos os fatores de produção e escoamento agrícola, de tal forma que daqui a pouco, a continuar assim, quando o Brasil exportar para a China, será, na verdade, a China vendendo para si mesma, nas condições chinesas, segundo a estratégia chinesa (que não é uma estratégia econômica, mas de hegemonia global), transformando os bravos produtores rurais brasileiros — que, aliás, nunca foram consultados para saber se queriam esse modelo — em meros empregados do Partido Comunista Chinês.
O agro precisa ser parte da luta do Brasil inteiro para libertar-se do sistema de corrupção, crime, totalitarismo e perversão institucional. Isso passa pela revisão do padrão de relações com a China, à qual o Brasil iniciou no primeiro governo Bolsonaro, no período entre janeiro de 2019 e março de 2021. É perfeitamente possível manter um comércio robusto e saudável com a China e, ao mesmo tempo, desmontar a conexão entre o Partido Comunista Chinês e o gigantesco “partido corrupto brasileiro”, formado por elementos dos mais diversos partidos e seus aliados fora da política, que hoje nos domina. Para isso, em caso de vitória de Flávio Bolsonaro, é necessária consciência política e coesão governamental. Se começarem a montar um governo preocupados com o que o Partido Comunista Chinês vai achar, se derem ao Partido Comunista Chinês o direito de veto sobre quem deve ou não compor o governo, sobre qual deve ou não ser a linha de atuação, nunca vão derrotar o Partido Corrupto Brasileiro. Se caírem na tolice de que política interna é uma coisa e política externa é outra, e a externa deve ficar nas mãos de quem agrade ao Partido Comunista Chinês, vão manter a política interna nas mãos do mesmo sistema que jogou o Brasil no fundo do poço.
O Partido Comunista Chinês e o Partido Corrupto Brasileiro são a mesma coisa. Estão sendo vencidos nas urnas, mas, se a direita, que hoje começa a libertar o Brasil, não souber agir, manterão o poder.
O agro não tem nada a temer em ver o Brasil livre do sistema corrupto e da servidão chinesa. Muito pelo contrário, nessa hipótese o agro voltará a ser dono do seu destino e terá tudo a ganhar, inclusive em termos de mercado e preço. Se algumas pessoas temem o fim do sistema corrupto e querem usar o agro como pretexto, isso é outra história.
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