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Opinião

Blog do Lanza: a NFL tomou conta do Rio

A NFL tomou conta do Rio: jogo histórico no Maracanã, turistas do mundo inteiro e a certeza de que o Brasil pode comportar dois jogos por ano.

Lanza

Por LanzaColunistaPublicado em 30/09/2026, 09:46Atualizado em 30/09/2026, 09:46

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Blog do Lanza: a NFL tomou conta do Rio

Há jogos que a gente assiste pela televisão. Há jogos que a gente acompanha trabalhando. E existem aqueles que viram uma experiência para guardar pelo resto da vida.

No último domingo, tive o prazer de estar no Maracanã para acompanhar a primeira partida da história da NFL disputada no Rio de Janeiro.

E, depois de tudo o que vi durante o fim de semana, saí de lá com uma certeza: a NFL já encontrou seu espaço no Brasil. Agora chegou a hora de pensar maior.

Porque o que aconteceu no Rio foi muito além de Baltimore Ravens 34 x 31 Dallas Cowboys.

Foi um evento internacional.

O Maracanã virou NFL

Quem está acostumado a frequentar o Maracanã conhece aquela paisagem: camisas de Flamengo, Fluminense, Vasco, Botafogo e Seleção Brasileira tomando conta das ruas e dos acessos ao estádio.

Dessa vez, o cenário era completamente diferente.

Cowboys. Ravens. Packers. Patriots. Chiefs. Eagles. 49ers. Dolphins. Camisas de praticamente todos os cantos da NFL.

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foto: Redes Sociais NFL Brasil

E tudo isso dentro daquele que talvez seja o maior símbolo do futebol brasileiro.

Foram quase 73 mil pessoas assistindo a uma partida de futebol americano no Maracanã.

Só isso já seria histórico.

Mas o que mais me chamou a atenção não estava apenas dentro do estádio.

Estava no Rio.

A quantidade de estrangeiros impressionou

Durante o fim de semana, uma coisa ficou muito evidente para quem estava na cidade: tinha muito turista estrangeiro ali por causa da NFL.

E muito.

Principalmente americanos.

Era possível encontrar torcedores de Cowboys e Ravens por todos os lados, muitos deles claramente vivendo não apenas o jogo, mas uma experiência turística completa no Rio de Janeiro.

E os números divulgados posteriormente confirmaram exatamente essa impressão.

Foram vendidos ingressos para pessoas de 67 países. Depois do Brasil, Estados Unidos, México, Reino Unido e Argentina apareceram entre os países com maior quantidade de compradores.

Houve até torcedores vindos de lugares como Japão, Malásia, Tailândia, Coreia do Sul e Singapura.

A estimativa é de que mais de 10 mil estrangeiros tenham ido ao Rio por causa do evento.

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foto: Shawn Hubbard / Baltimore Ravens

Isso é gigantesco.

E ajuda a explicar outra estatística: a ocupação dos hotéis chegou a 77,9% na cidade, passando de 95% na região de Leme e Copacabana.

Ou seja: a NFL não lotou apenas o Maracanã.

A NFL movimentou o Rio de Janeiro.

E o jogo resolveu entregar absolutamente tudo

Como se toda essa atmosfera não fosse suficiente, Cowboys e Ravens resolveram proporcionar um dos jogos mais emocionantes possíveis para marcar a estreia da liga no Maracanã.

Dallas começou melhor.

Baltimore reagiu.

Os Ravens assumiram o controle.

Os Cowboys buscaram.

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foto: Callena Williams / Dallas Cowboys

E chegamos aos segundos finais com a sensação de que ninguém queria ir embora.

Dallas conseguiu empatar o jogo em 31 a 31 faltando apenas sete segundos.

Sete segundos.

Naquele momento, tudo indicava que o jogo caminhava para a prorrogação.

Mas sete segundos para Lamar Jackson aparentemente são tempo suficiente.

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foto: Shawn Hubbard / Baltimore Ravens

Baltimore conseguiu avançar e colocou Tyler Loop em posição para tentar um field goal de 56 jardas.

Restava um segundo.

Loop acertou.

Ravens 34 x 31 Cowboys.

Fim de jogo.

O primeiro jogo da NFL no Maracanã terminou literalmente no último segundo.

Se a NFL pudesse escrever um roteiro para vender o esporte ao público brasileiro, dificilmente conseguiria fazer melhor.

O espetáculo também acontece fora das quatro linhas

Existe outra coisa que fica muito mais evidente quando você acompanha uma partida da NFL presencialmente.

O jogo é apenas parte do produto.

Existe entretenimento antes, durante e depois.

Existe música.

Existe ativação de patrocinadores.

Existe interação com o público.

Existe uma preocupação permanente em transformar aquelas horas em uma experiência.

E no Rio isso ganhou uma característica muito brasileira.

Péricles cantando o Hino Nacional. O Maracanã cantando "Evidências". Teve até Pedro Sampaio se apresentando com Ricky Martin - o que convenhamos, não precisaria ter… Mas teve e foi bem legal.

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foto: Callena Williams/ Dallas Cowboys

Parecia improvável.

Mas funcionou.

A NFL conseguiu trazer seu espetáculo para o Brasil sem tentar transformar o Maracanã em uma cópia de um estádio americano.

Foi NFL.

Mas foi NFL no Brasil.

E isso faz toda a diferença.

São Paulo e Rio podem cumprir papéis diferentes

Depois de acompanhar de perto essa experiência, para mim existe uma conclusão inevitável:

há mercado para o Brasil receber dois jogos de temporada regular por ano.

E, mais do que simplesmente realizar duas partidas, acredito que a NFL tem a oportunidade de criar dois eventos com propostas diferentes.

O primeiro poderia continuar em São Paulo, na Semana 1, seguindo o modelo que funcionou nos anos anteriores.

Jogo na sexta-feira.

Abertura da temporada.

Neo Química Arena.

Um evento pensado principalmente para o enorme público brasileiro que acompanha a NFL.

São Paulo funcionaria como a grande celebração do fã nacional.

Torcedores de todas as regiões viajando para acompanhar a abertura da temporada, como já aconteceu nos primeiros anos da liga no país.

E então viria o segundo capítulo.

Rio de Janeiro algumas semanas depois

O segundo jogo poderia acontecer no Rio de Janeiro, na Semana 3 ou na Semana 4, sempre em um domingo.

E aí a estratégia seria diferente.

O Rio tem uma vantagem que poucas cidades do mundo conseguem oferecer à NFL:

ele próprio já é um produto internacional.

Um americano pode olhar para o calendário do seu time e pensar:

"Tem Cowboys x Ravens no Brasil."

Mas quando você acrescenta:

"É no Rio de Janeiro."

A viagem deixa de ser apenas para assistir a uma partida.

Ela pode virar uma semana de férias.

Copacabana.

Ipanema.

Cristo Redentor.

Pão de Açúcar.

Praia.

Restaurantes.

Turismo.

E, no domingo, NFL no Maracanã.

Foi exatamente essa sensação que tive vendo tantos estrangeiros pela cidade.

Por isso acredito que colocar o jogo do Rio algumas semanas depois do início da temporada faria muito sentido.

Daria tempo para o torcedor americano organizar uma viagem internacional e permitiria à NFL vender não apenas um ingresso.

Permitiria vender uma experiência chamada Rio de Janeiro.

São Paulo para o brasileiro. Rio para o mundo.

É claro que brasileiros continuariam indo em peso ao Maracanã, assim como estrangeiros continuariam viajando para São Paulo.

Não se trata de excluir nenhum público.

Mas de entender a vocação de cada evento.

Eu resumiria a estratégia assim:

São Paulo seria a festa da NFL brasileira.

O Rio seria a vitrine internacional da NFL no Brasil.

Semana 1, sexta-feira, São Paulo.

Semana 3 ou 4, domingo, Rio de Janeiro.

Dois estádios.

Duas cidades.

Duas experiências completamente diferentes.

E um mercado de mais de 36 milhões de fãs de NFL no país.

Depois do que aconteceu no Maracanã, não me parece exagero.

Pelo contrário.

Parece o próximo passo natural.

O Brasil já passou no teste

Durante muito tempo, quando se falava em trazer um jogo da NFL para o Brasil, a discussão era se haveria público.

Essa pergunta já foi respondida.

São Paulo respondeu em 2024.

Respondeu novamente em 2025.

E agora o Rio respondeu colocando quase 73 mil pessoas no Maracanã.

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foto: Redes Sociais NFL Brasil

Mais do que isso: mostrou capacidade de atrair milhares de estrangeiros e transformar uma partida de temporada regular em evento turístico internacional.

A própria NFL já assumiu um compromisso de longo prazo com o Rio, prevendo pelo menos três jogos de temporada regular na cidade ao longo de cinco anos.

Então talvez a pergunta tenha mudado.

Não é mais:

"Será que a NFL funciona no Brasil?"

Funciona.

A pergunta agora deveria ser:

"Por que apenas um jogo por ano?"

Depois de viver o NFL Rio Game dentro do Maracanã, ver aquela quantidade de brasileiros e estrangeiros nas arquibancadas e acompanhar uma partida decidida no último segundo, minha impressão é muito clara:

o Brasil não precisa mais provar que merece receber a NFL.

Agora precisa mostrar que está pronto para receber ainda mais NFL.

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