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Opinião

O espelho de Caracas e a ilusão da Cavalaria Estrangeira

Em entrevista exclusiva ao Jornal da Auriverde Brasil, advogado de Donald Trump detalha o "playbook" autocrático em curso e alerta: a direita brasileira precisa parar de terceirizar sua resistência

Welinton Barros

Por Welinton BarrosColunistaPublicado em 26/10/2026, 21:46Atualizado em 26/10/2026, 21:46

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O espelho de Caracas e a ilusão da Cavalaria Estrangeira

A engrenagem do poder em Brasília opera, cada vez mais, sob a tração do medo. A análise feita nesta segunda-feira (26) pelo advogado Martin De Luca ao Jornal da Auriverde Brasil não apenas jogou luz sobre os bastidores da política nacional, mas expôs a anatomia de um sistema em modo de autoproteção. As "medidas excepcionais" vivenciadas no pleito de 2026, culminando na controversa decisão do ministro Cristiano Zanin de estender o horário de votação no domingo (25), não são atos isolados. Elas refletem o pânico do establishment diante do avanço da direita no Congresso Nacional e do fantasma de um impeachment.

Para De Luca, advogado de Donald Trump, o Brasil assiste à aplicação meticulosa de um "playbook globalista" de esquerda, um roteiro que encontra em Hugo Chávez e Nicolás Maduro suas inspirações mais nefastas. A estratégia é conhecida: diante do risco de perder o controle, flexibilizam-se as regras do jogo. O próximo capítulo dessa cartilha, alerta o advogado, é a perseguição sistemática à oposição.

“Lula está implementando o playbook da Venezuela, que é o playbook globalista da esquerda”, afirma o advogado. Segundo ele, o próximo capítulo agora - após as eleições -, é a perseguição aos opositores. “Vão perseguir Flávio, tentar colocar ele na cadeia, já começaram a ameaçar tirar o passaporte dele, depois tentar processar e colocar na cadeia qualquer um que esteja apoiando ou questionando, para assim, basicamente 'virar a página’ e conseguir governar”, explica.

Esse projeto de poder, contudo, exige a subserviência do Parlamento. As movimentações descritas em Brasília para manter Davi Alcolumbre e Hugo Motta no comando das casas legislativas não representam um mero xadrez regimental; são a espinha dorsal da blindagem do governo. Um Congresso neutralizado e dócil é o preço pago para que o impeachment deixe de ser um risco e torne-se uma lenda urbana.

Diante dessa asfixia institucional, parte do eleitorado conservador projeta suas esperanças além das fronteiras. O olhar atento de Donald Trump contra o crime organizado alimenta a expectativa de uma intervenção externa, especialmente após a revelação de que o rápido reconhecimento da vitória de Lula por vizinhos latino-americanos foi fruto de intensa pressão diplomática.

Entretanto, o recado de De Luca traz um choque de realidade inadiável: não haverá socorro estrangeiro para quem não está disposto a lutar por si mesmo.

“O povo brasileiro não pode esperar que ajudem de fora, se o povo não está disposto a ajudar a si mesmo", disse De Luca. “Quem lidera aqui são os brasileiros. Quem lidera aqui é a campanha de Flávio. De fora, acho que é razoável esperar muito apoio, avaliação de dados, escrutínio de tudo que está acontecendo e revelar informações. Não é apropriado para os estrangeiros liderar. Quem tem que liderar aqui é Flávio, os líderes do Congresso, os novos deputados e senadores e obviamente o que pode ser feito de fora é acompanhar e apoiar isso e não permitir abusos", afirmou De Luca.

O protagonismo da resistência cabe aos brasileiros, aos novos parlamentares, a Flávio e às lideranças conservadoras que acabam de sair das urnas. Esperar que a comunidade internacional desça dos céus para restaurar a normalidade democrática do Brasil é uma ingenuidade fatal. A erosão das liberdades já desembarcou em Brasília; cabe à oposição decidir se será a barreira de contenção ou apenas figurante no desmonte da própria casa.

Confira a entrevista na íntegra

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