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Opinião

Blog do Lanza: Crespo avisou - São Paulo cai, enquanto Vasco e Fluminense seguem vivos

São Paulo cai na Sul-Americana e revive o alerta de Crespo, enquanto Vasco e Fluminense superam noites decisivas e seguem vivos no continente.

Lanza

Por LanzaColunistaPublicado em 16/09/2026, 12:33Atualizado em 16/09/2026, 12:33

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Blog do Lanza: Crespo avisou - São Paulo cai, enquanto Vasco e Fluminense seguem vivos

A noite de terça-feira foi daquelas que resumem perfeitamente o futebol sul-americano. Teve festa, sofrimento, estádio pulsando e, principalmente, realidade batendo à porta.

Vasco e Fluminense seguem vivos nas disputas continentais. O São Paulo, não.

E talvez a eliminação tricolor para o Boca Juniors seja muito maior do que simplesmente uma queda nas quartas de final da Copa Sul-Americana. Ela obriga o clube a olhar novamente para uma frase dita ainda no começo do ano por Hernán Crespo.

Uma frase que incomodou muita gente.

E que, passados quase oito meses, parece cada vez menos pessimista.

Crespo avisou. O São Paulo não quis ouvir

No inicio do ano, depois de uma derrota para o Palmeiras pelo Campeonato Paulista, Crespo disse que a primeira meta do São Paulo no Campeonato Brasileiro deveria ser alcançar os 45 pontos necessários, tradicionalmente, para escapar do rebaixamento.

A declaração caiu como uma bomba.

Dias depois, o argentino tentou explicar que sua intenção era proteger o clube e trabalhar com os pés no chão. Crespo queria um São Paulo competitivo, queria títulos, mas enxergava as limitações de um elenco e, principalmente, de uma instituição que atravessava dificuldades.

Em março, Crespo foi demitido. Oficialmente, o clube comunicou apenas sua saída, encerrando uma segunda passagem que teve 46 partidas, 21 vitórias, sete empates e 18 derrotas.

Mas aquela declaração permaneceu.

E o mais curioso é olhar para ela agora.

O São Paulo está eliminado das competições continentais e ocupa a 11ª colocação do Brasileirão, com 33 pontos. O próprio Luciano, depois da queda diante do Boca, escancarou outro problema ao afirmar que nunca recebeu salário em dia durante sua passagem pelo clube.

Então talvez seja hora de perguntar:

Crespo estava sendo pessimista ou apenas estava enxergando antes de todo mundo aquilo que o São Paulo se recusava a admitir?

O próprio Rafinha, hoje executivo de futebol do clube, afirmou nesta quarta-feira que talvez a demissão tenha acontecido no momento errado. Ao mesmo tempo, disse entender que o discurso de Crespo sobre lutar contra o rebaixamento era desmotivador para o torcedor.

É exatamente aí que mora a contradição.

No futebol brasileiro, muitas vezes se pune quem verbaliza o problema antes de se resolver o problema.

Crespo pode ter errado na forma. Talvez tenha sido excessivamente realista para um clube que, por história, camisa e torcida, naturalmente pensa grande.

Mas a realidade não desaparece porque alguém decidiu não falar sobre ela.

O Boca não perdoa quem precisa correr atrás

Dentro de campo, o São Paulo chegou ao MorumBIS obrigado a buscar o resultado depois da derrota por 1 a 0 na Bombonera.

Empatou por 1 a 1 e se despediu.

Houve luta. Houve pressão. Houve até a frustração de um gol de Ryan Francisco anulado por um impedimento milimétrico. Mas mata-mata continental não costuma perdoar quem chega ao segundo jogo precisando consertar aquilo que deixou escapar no primeiro.

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foto: Rubens Chiri / São Paulo FC

E agora acabou a distração.

Não existe mais competição internacional.

Não existe mais possibilidade de salvar o ano com uma taça continental.

Existe o Campeonato Brasileiro.

Aquele mesmo campeonato para o qual Crespo, em janeiro, estabeleceu como primeira missão chegar aos 45 pontos.

Ironias do futebol.

O Vasco entendeu exatamente o tamanho da noite

Se faltou ao São Paulo transformar pressão em classificação, sobrou ao Vasco capacidade de compreender o jogo.

Depois do 0 a 0 na Colômbia, o Cruz-Maltino venceu o Santa Fe por 2 a 0 em São Januário, com gols de Bruno Duarte e David, e voltou a uma semifinal continental depois de 15 anos.

E existe um detalhe que torna essa campanha ainda mais interessante.

O Vasco também luta contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro. E, justamente por isso, vem utilizando formações alternativas em vários momentos da Sul-Americana. Mesmo assim, continua avançando.

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foto: Matheus Lima/Vasco

É quase um paradoxo.

Um time que precisa olhar desesperadamente para a tabela do Brasileiro está a poucos jogos de conquistar um título internacional.

E agora terá pela frente justamente o Boca Juniors.

A camisa cruz-maltina voltou a aparecer entre os quatro melhores de uma competição continental.

Para um clube que passou tantos anos acumulando crises, quedas e reconstruções, isso significa muito.

E o Fluminense resolveu brincar com fogo

Se o Vasco administrou bem a pressão, o Fluminense resolveu testar o coração do torcedor.

Depois de vencer o Platense por 2 a 0 no Maracanã, o Tricolor chegou à Argentina carregando uma vantagem extremamente confortável.

Em 45 minutos, conseguiu perdê-la inteira.

Mainero e Sepúlveda fizeram 2 a 0 e igualaram o confronto antes do intervalo.

De repente, aquilo que parecia uma classificação encaminhada virou um pesadelo.

O Fluminense sequer havia finalizado no gol durante o primeiro tempo.

Foi então que apareceu Canobbio.

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foto: Marcelo Gonçalves/FFC

Na primeira finalização tricolor no alvo, saiu o gol que mudou novamente a eliminatória. O Platense venceu por 2 a 1, mas o Fluminense avançou por 3 a 2 no agregado. E Fábio ainda precisou trabalhar bastante para impedir que o drama fosse ainda maior.

Classificou.

Mas fica o alerta.

Em Libertadores, dificilmente se sobrevive muitas vezes oferecendo 45 minutos ao adversário.

O Fluminense está na semifinal e isso é o que importa hoje. Mas, se quiser voltar a uma decisão continental, não poderá repetir uma atuação tão passiva quanto a apresentada no primeiro tempo na Argentina.

Três camisas pesadas. Três realidades

No final, a noite continental deixou três retratos muito diferentes.

O Vasco vive a euforia de voltar a uma semifinal internacional depois de 15 anos.

O Fluminense respira aliviado depois de flertar perigosamente com uma eliminação que parecia improvável antes de a bola rolar.

E o São Paulo volta para casa.

Talvez seja justamente o Tricolor paulista quem tenha mais coisas para pensar nesta quarta-feira.

Porque sua eliminação não encerra apenas uma campanha continental.

Ela devolve o clube para a realidade.

Uma realidade de problemas financeiros, salários atrasados relatados publicamente por jogador, troca de treinadores e um Campeonato Brasileiro que agora passa a ser a única frente restante da temporada.

Lá no inicio do ano, quando Hernán Crespo falou em chegar primeiro aos 45 pontos, muita gente considerou aquele discurso pequeno demais para o São Paulo.

Talvez fosse.

O São Paulo Futebol Clube é grande demais para iniciar uma temporada pensando apenas em não cair.

Mas existe uma diferença enorme entre aquilo que um clube deveria ser e aquilo que ele é naquele momento.

Crespo olhou para o São Paulo de 2026 e preferiu falar sobre o segundo.

Meses depois, eliminado da Sul-Americana e sem outra competição para disputar além do Brasileiro, o Tricolor terá de provar dentro de campo que seu antigo treinador estava errado.

Caso contrário, aquela frase que parecia absurda em janeiro poderá terminar o ano como uma das análises mais lúcidas feitas sobre o São Paulo em toda a temporada.

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