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Opinião

Blog do Lanza: Palmeiras sobrevive, Corinthians cai e Galo reage

Palmeiras sobrevive a apagão, Corinthians cai com pênalti perdido por Memphis e Galo reage para avançar na Sul-Americana.

Lanza

Por LanzaColunistaPublicado em 17/09/2026, 12:08Atualizado em 17/09/2026, 12:08

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Blog do Lanza: Palmeiras sobrevive, Corinthians cai e Galo reage

Existem classificações que terminam em festa. Outras terminam em alívio. E existem eliminações que doem muito mais pela maneira como acontecem do que propriamente pelo resultado.

A quarta-feira de Libertadores e Sul-Americana entregou um pouco de tudo isso.

O Palmeiras estava classificado até transformar uma partida controlada em cinco minutos de absoluto desespero. O Corinthians praticamente não jogou o que precisava e, quando recebeu dos céus uma última oportunidade, viu Memphis Depay mandar para as arquibancadas não apenas um pênalti, mas talvez o último suspiro de uma temporada turbulenta. E o Atlético-MG fez justamente aquilo que seus rivais brasileiros não conseguiram: cresceu quando o confronto exigiu.

São histórias diferentes, mas conectadas por uma característica fundamental dos grandes mata-matas.

Não basta jogar bem.

É preciso entender o momento do jogo.

O Palmeiras deixou de entender durante cinco minutos e quase pagou um preço altíssimo. O Corinthians demorou 90 minutos para perceber o tamanho da partida. O Santos entrou em campo parecendo não compreender que dois gols de vantagem poderiam desaparecer rapidamente — e desapareceram.

O Atlético foi a exceção.

Entrou sabendo exatamente aquilo que precisava fazer.

E fez.

Palmeiras: 85 minutos de controle e cinco de loucura

Talvez seja justamente isso que torne tão difícil explicar o que aconteceu com o Palmeiras em Quito.

Até os 44 minutos do segundo tempo, o plano havia funcionado.

Abel Ferreira e sua comissão entenderam que repetir a postura adotada na altitude em outras oportunidades seria um convite ao desastre. O Palmeiras marcou mais baixo, bloqueou os chutes de média e longa distância e tentou impedir os cruzamentos, duas armas importantes da LDU em Quito.

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foto: Cesar Greco/Palmeiras

Não foi uma atuação brilhante.

Foi uma atuação inteligente.

Mesmo com apenas 37% de posse de bola, o Palmeiras não estava acuado. Criava suas oportunidades, controlava os espaços e, principalmente, não permitia que a LDU transformasse a altitude e o estádio em um bombardeio.

Vitor Roque teve papel importante nisso.

Entrou no lugar de Flaco López e fez exatamente aquilo que se esperava dele: deu fôlego ao ataque, incomodou a defesa equatoriana e marcou o segundo gol palmeirense.

Giay, para mim, foi o melhor jogador do Palmeiras.

Seguro defensivamente, competitivo e participativo, fez uma daquelas partidas que ajudam a explicar por que ganhou espaço. Em uma noite na qual a defesa terminaria como protagonista negativo, o argentino foi justamente quem mais transmitiu segurança.

Tudo parecia resolvido.

Até deixar de estar.

Aos 44 minutos, Estrada ganhou de Bruno Fuchs e empatou. O estádio, que já parecia conformado, acordou. O Palmeiras sentiu.

E sentiu demais.

A equipe que havia controlado os espaços durante praticamente toda a partida simplesmente desapareceu. Já não conseguia afastar a bola, permitia cruzamentos e recuou de uma maneira que não parecia estratégica, mas desesperada.

Estrada ganhou novamente de Bruno Fuchs.

3 a 2.

Pênaltis.

Em cinco minutos, uma classificação que parecia absolutamente controlada se transformou em uma eliminação que teria sido inacreditável.

Carlos Miguel impediu o desastre. Defendeu duas cobranças e colocou o Palmeiras em sua 13ª semifinal de Libertadores — a sétima nas últimas nove edições. É uma regularidade continental extraordinária.

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foto: Foto: Cesar Greco/Palmeiras

Mas a classificação não pode esconder o alerta.

Um time experiente como o Palmeiras não pode perder completamente o controle emocional e defensivo de uma partida em cinco minutos.

Contra a LDU, houve pênaltis.

Contra o Fluminense, talvez não exista uma segunda oportunidade.

Corinthians: Memphis perdeu o pênalti, mas o Corinthians perdeu muito antes

É inevitável.

A imagem que ficará da eliminação corintiana será Memphis Depay caminhando para a marca da cal, respirando, correndo para a bola e chutando por cima.

Era o último lance.

Era a chance de levar a decisão para os pênaltis.

Era a oportunidade de transformar uma péssima atuação em sobrevivência.

E Memphis desperdiçou.

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foto: Miguel Schincariol/AFP

Só que seria confortável demais colocar a eliminação nas costas do holandês.

O Corinthians não caiu por causa daquele pênalti.

Caiu porque jogou muito pouco durante os 90 minutos anteriores.

Diante de mais de 47 mil torcedores na Neo Química Arena e com seus principais jogadores descansados, o Corinthians apresentou uma equipe pouco criativa e praticamente inofensiva ofensivamente.

E isso não começou quarta-feira.

O trio formado por Kaio César, Garro e Memphis não vem funcionando desde o retorno da Copa do Mundo. Os resultados mostram isso: cinco derrotas consecutivas no Brasileiro, eliminação em casa na Copa do Brasil e, agora, queda nas quartas de final da Libertadores.

O Estudiantes não precisou sobreviver a uma pressão sufocante.

Não houve bombardeio.

Não houve uma atuação heroica do goleiro argentino.

O Corinthians simplesmente produziu muito pouco.

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foto: Divulgação / CONMEBOL

E aí está a crueldade do futebol.

Mesmo sem merecer, ainda recebeu uma oportunidade.

O pênalti nos acréscimos poderia apagar tudo aquilo.

Memphis bateu.

Para fora.

Talvez por isso a cobrança tenha sido tão simbólica.

O holandês vive um 2026 turbulento, marcado por questões contratuais, episódios extracampo e dificuldades para reproduzir a importância que já teve dentro de campo. O jogador mais badalado e mais caro do elenco recebeu nos pés a bola que poderia manter vivo o maior objetivo corintiano da temporada.

E errou.

Memphis será o rosto da eliminação.

Mas não deveria ser o único culpado.

Porque ele perdeu um pênalti.

O Corinthians perdeu o jogo inteiro.

E para um clube que desde o título de 2012 acumula decepções e eliminações traumáticas na Libertadores, a noite contra o Estudiantes acrescenta mais um capítulo a uma relação que continua estranhamente complicada com o principal torneio do continente.

O Galo teve aquilo que faltou aos outros

Enquanto Palmeiras e Corinthians terminaram suas partidas tentando sobreviver, o Atlético-MG entrou na Arena MRV sabendo que sobreviver não seria suficiente.

Precisava atacar.

Precisava pressionar.

Precisava fazer dois gols.

E precisou de apenas 17 segundos para começar.

Bernard abriu o placar praticamente na saída de bola e mudou completamente o ambiente da partida. Aos 20 minutos, Reinier já havia feito o segundo.

A vantagem construída pelo Santos na Vila Belmiro simplesmente desapareceu.

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foto: Pedro Souza / Atlético

É verdade que o Santos reagiu. Fez dois gols, conseguiu equilibrar novamente o confronto e teve momentos importantes no segundo tempo.

Mas também é impossível ignorar os erros defensivos santistas.

O time de Cuca começou a partida cometendo um erro que originou o primeiro gol antes mesmo de conseguir respirar. Depois permitiu cruzamentos perigosos para dentro da própria área e, quando parecia novamente próximo da classificação, sofreu o quarto gol em uma jogada evitável.

O próprio Cuca reconheceu que sua equipe demorou cerca de 25 minutos para entrar no jogo. Em uma decisão fora de casa carregando dois gols de vantagem, é tempo demais.

Mas existe o outro lado.

E ele merece bastante atenção.

Eduardo Domínguez começa a fazer um trabalho dos mais interessantes no futebol brasileiro.

O "Barba" recebeu um Atlético pressionado e está construindo uma equipe que começa a ter personalidade.

A escalação contra o Santos mostrou isso.

Alan Franco apareceu improvisado na lateral direita. Reinier ganhou espaço no ataque. E o Atlético entrou disposto a transformar a Arena MRV em um caldeirão desde o primeiro segundo.

Não foi apenas vontade.

Havia uma proposta.

O Galo teve a bola, controlou as ações e atacou como uma equipe que acreditava verdadeiramente na remontada. Mesmo quando o Santos conseguiu reagir, continuou buscando.

Cuello marcou aos 47 do segundo tempo.

4 a 2.

Pênaltis.

E então apareceu Gabriel Delfim.

Três cobranças defendidas e uma classificação que pode representar muito mais do que simplesmente uma vaga na semifinal da Sul-Americana.

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foto: Pedro Souza / Atlético

Porque trabalhos de treinador também precisam de noites que façam o elenco acreditar definitivamente em uma ideia.

Esta pode ter sido uma delas para Domínguez.

O Atlético ainda tem problemas e está longe de ser um time pronto. Mas começa a mostrar uma característica indispensável para quem pretende conquistar alguma coisa: personalidade.

Saber jogar é também saber sofrer

Palmeiras e Atlético-MG estão nas semifinais.

Corinthians e Santos estão eliminados.

Mas a quarta-feira deixou algo que vai além dos resultados.

O Palmeiras mostrou durante 85 minutos que tinha aprendido a jogar na altitude de Quito. Nos cinco finais, esqueceu tudo. Sobreviveu porque tem elenco, experiência e um goleiro que apareceu no momento decisivo.

É uma virtude.

Também é um aviso.

O Corinthians recebeu uma oportunidade que talvez nem sua atuação justificasse. Memphis desperdiçou e inevitavelmente carregará a imagem da eliminação. Mas Fernando Diniz e seus jogadores precisam olhar muito além daquela cobrança.

Porque discutir apenas o pênalti seria ignorar os outros 90 minutos.

E o Atlético-MG mostrou exatamente aquilo que se espera de uma equipe quando entra em campo precisando reverter uma grande desvantagem.

Acreditou.

Atacou.

Errou.

Continuou atacando.

E classificou.

Talvez essa seja a principal diferença entre os três brasileiros nesta quarta-feira.

O Palmeiras quase perdeu uma classificação que estava em suas mãos.

O Corinthians esperou até o último lance para tentar buscar uma que nunca conseguiu construir.

E o Atlético entrou em campo disposto a arrancar a sua.

Em mata-mata, talento ajuda. Tática decide muita coisa. Sorte também aparece.

Mas existe algo que normalmente separa quem continua de quem volta para casa: entender o momento.

Na quarta-feira, o Palmeiras entendeu tarde demais que ainda corria perigo.

O Corinthians entendeu tarde demais que precisava jogar.

E o Atlético entendeu desde o primeiro segundo que não tinha mais tempo a perder.

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