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Opinião

INSS e PCC: as investigações que alcançam os suplentes de Janaína Riva

Danilo Trento aparece no escândalo dos descontos de aposentados e movimentou recursos para empresas investigadas por possíveis relações com o PCC; Rafael Yamada foi investigado por corrupção e lavagem de dinheiro

Deborah Sena

Por Deborah SenaColunistaPublicado em 29/09/2026, 15:53Atualizado em 29/09/2026, 15:53

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INSS e PCC: as investigações que alcançam os suplentes de Janaína Riva
(Reprodução / Redes Sociais)

Os dois empresários escolhidos para as suplências de Janaína Riva (MDB) na disputa pelo Senado em Mato Grosso aparecem em investigações que passam pelo escândalo do INSS, por suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro e chegam a empresas investigadas por possíveis relações com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Danilo Berndt Trento ocupa a primeira suplência e Rafael Yamada Torres, a segunda, na composição oficializada em setembro, depois das saídas de Aluízio Lima e Ibrahim Zaher.

Segundo o relatório final da CPMI do INSS, Trento atuava como operador financeiro de uma rede que conectava empresários, associações envolvidas nos descontos sobre benefícios e integrantes da cúpula do INSS. Entre os casos apontados está o pagamento de R$ 4,3 milhões, por uma empresa de Trento, a uma consultoria da mulher do então procurador-geral do INSS, Virgílio Oliveira, Thaisa Hoffmann Jonasson.

A CPMI também rastreou R$ 55,7 milhões pagos pela J&F a duas empresas que atribui ao controle de Trento. Segundo a investigação, parte dos recursos passava pelas companhias e chegava à conta pessoal do empresário. A comissão classificou as empresas como de fachada. Os pagamentos começaram durante a criação e a expansão do Meu INSS Vale+, operado também pelo PicPay, do grupo J&F.

As movimentações de Trento abrem outra trilha, que chega a empresas investigadas por possíveis relações com o PCC. A T5 transferiu R$ 90 mil para a Táxi Aéreo Piracicaba (TAP), investigada por suspeitas de envolvimento com a facção. Trento também transferiu cerca de R$ 700 mil para o BK Bank, fintech que posteriormente apareceu na Operação Carbono Oculto, investigação da Polícia Federal sobre a infiltração do PCC no setor de combustíveis e no sistema financeiro.

O histórico do segundo suplente segue outro caminho. Rafael Yamada Torres, filho de Wanderley Fachetti Torres, sócio da Trimec, foi investigado por crimes contra a Administração Pública e lavagem de dinheiro nas apurações sobre o esquema de corrupção atribuído ao ex-governador Silval Barbosa. Durante a investigação, Yamada decidiu colaborar com as autoridades e, segundo documentos do Ministério Público de Mato Grosso, apresentou informações e documentos sobre pagamentos de propina a agentes públicos e mecanismos usados para lavar dinheiro.

O caso também chegou à Procuradoria-Geral da República. Em outro documento, Yamada aparece como sócio de uma empresa que, segundo a acusação, teria sido usada para dissimular o pagamento de vantagem indevida a agentes públicos. O MPF afirma que confrontou os relatos dos colaboradores com outros elementos de prova, incluindo dados obtidos por quebra judicial de sigilo bancário.

Mais recentemente, Yamada reapareceu em outra investigação. Ele é sócio da Coliseu Investimentos e Participações, empresa citada na Operação Heritage, da Polícia Federal, que apura suspeitas relacionadas a um acordo de R$ 308,1 milhões entre o governo de Mato Grosso e a operadora Oi.

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