Pai de Daniel Vorcaro nega envolvimento com “A Turma” em depoimento à PF
Henrique Moura Vorcaro está preso há mais de 110 dias e afirma não ter dado ordens ao grupo investigado por ameaças e invasões de sistemas

Henrique Moura Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, prestou depoimento à Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira (30) e negou ter comandado ou transmitido ordens à chamada “A Turma”. O grupo é investigado por suspeitas de ameaças, intimidações, invasões de sistemas e obtenção ilegal de informações sigilosas.
O depoimento ocorreu após mais de 110 dias de prisão preventiva. A defesa classificou a medida como excessiva e desnecessária e também criticou a demora do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), para analisar os pedidos apresentados. “O excesso e a desnecessidade dessa prisão são evidentes”, afirmaram os advogados.
Segundo a defesa, Henrique foi ouvido dentro do presídio, em Minas Gerais, sem a presença de advogado. Os representantes afirmam que haviam pedido ao STF autorização para acompanhar a oitiva, mas que a solicitação não foi analisada antes do depoimento. Os advogados também reconhecem que Henrique mantinha relações comerciais com três investigados, mas dizem que os negócios começaram em 2021 e são documentados.
A versão apresentada pela defesa diverge da investigação da PF, que aponta Henrique como principal operador financeiro da estrutura e responsável por repassar aos integrantes do grupo ordens atribuídas ao filho. A corporação também o considera solicitante e beneficiário de serviços ilícitos. Henrique foi preso em maio, durante a sexta fase da Operação Compliance Zero, e a prisão foi mantida pela Segunda Turma do STF por 3 votos a 1.
Daniel Vorcaro também prestou novo depoimento à PF nesta quarta-feira (30). Em nota, sua defesa afirmou que ele “jamais praticou, determinou ou se envolveu em qualquer ato de violência, intimidação, perseguição ou ameaça contra quem quer que seja”. Os advogados de Henrique também disseram que familiares de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário” e apontado pela PF como uma das lideranças operacionais de “A Turma”, negaram ameaças atribuídas ao grupo.
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