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Brasil

FPA QUER APOIAR O GOVERNO LULA, MAS QUEM VAI DEFENDER O PRODUTOR RURAL? LUPION PRECISA EXPLICAR O QUE A BANCADA FEZ E O QUE PRETENDE FAZER PELO AGRO BRASILEIRO!

Celso Ricardo

Por Celso RicardoColunistaPublicado em 31/10/2026, 07:22Atualizado em 31/10/2026, 07:22

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FPA QUER APOIAR O GOVERNO LULA, MAS QUEM VAI DEFENDER O PRODUTOR RURAL? LUPION PRECISA EXPLICAR O QUE A BANCADA FEZ E O QUE PRETENDE FAZER PELO AGRO BRASILEIRO!

FPA QUER APOIAR O GOVERNO LULA, MAS QUEM VAI DEFENDER O PRODUTOR RURAL? LUPION PRECISA EXPLICAR O QUE A BANCADA FEZ E O QUE PRETENDE FAZER PELO AGRO BRASILEIRO!

Quais políticas concretas do governo Lula a Frente Parlamentar da Agropecuária pretende apoiar? Quais pretende combater? E, principalmente, quais resultados efetivos exigirá para os produtores rurais brasileiros?

Por Celso Ricardo Ferreira – Consultor em Gestão Estratégica em Agronegócio

Essas são as perguntas que precisam ser respondidas pelo deputado Pedro Lupion, presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), depois de seu pronunciamento anunciando disposição para apoiar pautas do governo Lula.

Não estamos discutindo simplesmente uma mudança de postura parlamentar depois das eleições. Estamos discutindo a responsabilidade de uma das maiores articulações políticas do Congresso Nacional diante de uma crise econômica que compromete a capacidade financeira de milhares de produtores rurais brasileiros.

Depois de quatro anos de governo Lula, o produtor continua enfrentando problemas estruturais que não foram satisfatoriamente solucionados: endividamento, restrições de crédito, juros elevados, custos de produção pressionados, dificuldades comerciais, insuficiência de seguro rural e margens econômicas incapazes de sustentar novos investimentos em diversas atividades.

Diante desse cenário, a declaração de Lupion exige muito mais do que justificativas sobre diálogo institucional. Exige esclarecimentos públicos sobre o que será negociado, quais interesses serão defendidos e quais resultados concretos a bancada pretende entregar.

O produtor rural não precisa de uma bancada que simplesmente anuncie disposição para apoiar o governo. Precisa de uma representação parlamentar capaz de demonstrar, por meio de ações legislativas e resultados econômicos, que suas prioridades estão efetivamente sendo defendidas.

A CARGA TRIBUTÁRIA E O CUSTO DE PRODUZIR NO BRASIL

O Brasil registrou carga tributária bruta equivalente a 32,4% do PIB em 2025. Esse indicador não representa uma alíquota diretamente cobrada sobre a agropecuária, mas evidencia a dimensão da arrecadação tributária nacional.

O problema que precisa ser enfrentado é como a tributação direta e indireta, somada aos custos financeiros, logísticos, energéticos e regulatórios, afeta a competitividade das diferentes cadeias produtivas.

Com a transição da reforma tributária e a implementação progressiva da CBS, o setor precisa conhecer antecipadamente seus efeitos sobre custos, créditos tributários, fluxo de caixa e investimentos.

A FPA precisa explicar quais dispositivos da reforma apoiou, quais tentou modificar e quais medidas defenderá para impedir que a reorganização tributária amplie a pressão financeira sobre produtores que já operam com margens reduzidas.

Não basta discutir a reforma tributária dentro do Congresso. É necessário demonstrar o que ela significará, em reais, para a capacidade de pagamento e para a rentabilidade do produtor rural.

A CHINA IMPÕE RESTRIÇÕES À CARNE BRASILEIRA, E QUAL É A RESPOSTA ESTRATÉGICA?

A imposição de cotas e de uma sobretaxa de 55% sobre volumes de carne bovina exportados acima dos limites estabelecidos pela China representa um problema comercial de grande relevância para a pecuária brasileira.

O governo brasileiro realizou gestões diplomáticas, mas a existência dessas negociações não elimina a necessidade de avaliar seus resultados.

A dependência de determinados mercados internacionais, a vulnerabilidade diante de decisões unilaterais de compradores e a insuficiente diversificação comercial expõem fragilidades que não podem continuar sendo tratadas apenas quando surgem novas barreiras.

Onde está a proposta estruturada da FPA para reduzir essa dependência? Quais iniciativas legislativas e institucionais a bancada pretende desenvolver para fortalecer a inteligência comercial, a diferenciação da carne brasileira, a agregação de valor e a abertura efetiva de mercados de maior remuneração?

Abertura de mercados não é sinônimo de rentabilidade, assim como exportação recorde não significa lucro recorde para quem produz.

A EUROPA IMPÕE RESTRIÇÕES, E O PRODUTOR CONTINUA EXPOSTO

As restrições europeias relacionadas às exigências sobre antimicrobianos na produção animal demonstram como o acesso aos mercados internacionais depende de capacidade sanitária, rastreabilidade, adequação regulatória e negociação comercial.

Esses problemas exigem planejamento permanente, investimentos e articulação entre governo, indústria e produtores.

A responsabilidade da FPA não pode se limitar a acompanhar as negociações. A bancada precisa demonstrar quais providências cobrou, quais recursos e instrumentos defendeu para adequação das cadeias produtivas e quais resultados pretende exigir das autoridades brasileiras.

É necessário estabelecer prazos, identificar os segmentos prejudicados e apresentar soluções que evitem transferir integralmente ao produtor os custos de adaptação e as perdas comerciais.

O ENDIVIDAMENTO RURAL NÃO PODE SER TRATADO COMO UMA SIMPLES RENEGOCIAÇÃO BANCÁRIA

Talvez este seja o ponto mais importante de toda a discussão.

O endividamento rural não representa apenas um problema de vencimento de parcelas. Em muitas propriedades, é consequência de desequilíbrios acumulados entre receitas, despesas operacionais, custos financeiros, riscos climáticos e insuficiência de margens.

Renegociar uma dívida sem recuperar a capacidade econômica de pagamento pode apenas transferir a crise para os anos seguintes.

A própria FPA reconheceu dificuldades na implementação dos mecanismos de renegociação, incluindo exigências bancárias de entrada e garantias adicionais.

Isso exige uma cobrança muito mais abrangente: reestruturação das dívidas com base na capacidade real de pagamento, prazos compatíveis com os ciclos produtivos, instrumentos de proteção de renda e recuperação das condições de financiamento.

O produtor rural não precisa apenas de mais prazo para pagar uma dívida. Precisa recuperar a capacidade de gerar resultado econômico suficiente para pagar suas obrigações, investir e permanecer na atividade.

Essa deveria ser uma prioridade permanente da representação parlamentar do agronegócio, independentemente de quem ocupa a Presidência da República.

A RESPONSABILIDADE DA PRÓPRIA FPA NÃO PODE FICAR FORA DO DEBATE

Existe uma questão institucional que precisa ser colocada com absoluta clareza: a FPA não é apenas uma organização que apresenta reivindicações ao Poder Executivo. É uma articulação parlamentar que participa diretamente da elaboração, negociação e aprovação de leis que afetam o agronegócio.

Portanto, sua responsabilidade não se encerra em cobrar providências do governo.

É necessário examinar o histórico de propostas apresentadas, projetos aprovados, emendas defendidas, votações realizadas e resultados efetivamente alcançados para os produtores.

O produtor precisa saber se a atuação parlamentar está concentrada em resolver seus problemas econômicos ou se as prioridades legislativas acabam privilegiando demandas de outros segmentos das cadeias agroindustriais.

A indústria, o comércio, os fornecedores de insumos e o sistema financeiro possuem interesses legítimos, mas esses interesses nem sempre coincidem com a necessidade de preservar a rentabilidade e a solvência das propriedades rurais.

Uma política pode ampliar o faturamento da indústria, movimentar o crédito bancário e aumentar as exportações sem necessariamente melhorar o resultado financeiro do produtor.

É justamente essa diferença que precisa orientar a avaliação da FPA.

Uma bancada parlamentar de grande dimensão deve ser cobrada proporcionalmente à sua capacidade de atuação. O número de parlamentares envolvidos não substitui a demonstração dos resultados obtidos.

SEIS COBRANÇAS QUE PEDRO LUPION E A FPA PRECISAM RESPONDER

1. TRIBUTAÇÃO: Quais medidas concretas a bancada defenderá para reduzir os custos tributários efetivamente suportados pela produção agropecuária, especialmente diante das mudanças previstas na reforma tributária?

2. ENDIVIDAMENTO: A FPA defenderá um programa estrutural de recuperação financeira, baseado na capacidade real de pagamento, ou continuará concentrando sua atuação em mecanismos pontuais de renegociação?

3. CHINA: Quais providências exigirá do governo para enfrentar as restrições comerciais sobre a carne bovina, diversificar destinos e reduzir a vulnerabilidade da pecuária brasileira?

4. EUROPA: Quais soluções, prazos e instrumentos de adequação sanitária serão cobrados para superar as restrições comerciais e proteger os produtores dos prejuízos decorrentes dessas exigências?

5. RENTABILIDADE: Onde estão as propostas da bancada para recuperar margem líquida, liquidez, solvência, retorno sobre capital e capacidade de investimento das propriedades rurais?

6. COERÊNCIA INSTITUCIONAL: Quais critérios objetivos determinarão o apoio ou a oposição da FPA às propostas do governo Lula, e como a bancada demonstrará que suas decisões priorizam os resultados econômicos dos produtores?

O AGRONEGÓCIO PRECISA DE REPRESENTAÇÃO ECONÔMICA, NÃO APENAS DE ARTICULAÇÃO POLÍTICA

O agronegócio brasileiro precisa ser compreendido como um sistema econômico complexo, integrado à indústria, aos serviços, ao crédito, à logística, ao comércio exterior e à geração de renda nacional.

Nesse sistema, a produção agropecuária constitui uma base econômica fundamental. Quando o produtor perde capacidade financeira, os efeitos se propagam para fornecedores, cooperativas, instituições financeiras, municípios e cadeias industriais.

Por isso, uma agenda parlamentar que não trate de eficiência econômica, risco, rentabilidade e recuperação financeira permanece incompleta, independentemente do número de projetos anunciados ou das negociações realizadas.

O pronunciamento de Pedro Lupion abre uma discussão que não pode ser encerrada com a justificativa de que a eleição terminou e agora é necessário dialogar.

O que precisa ser esclarecido é quais compromissos serão assumidos, quais medidas serão rejeitadas e quais resultados a bancada estará disposta a cobrar publicamente.

A questão não é se a FPA pode conversar com o governo Lula. A questão é se essa negociação produzirá mudanças concretas para o produtor rural e como a própria bancada responderá por sua atuação.

Depois de quatro anos de problemas econômicos persistentes, declarações políticas não são suficientes para demonstrar compromisso com a recuperação do campo.

A representação do agronegócio precisa ser medida pela capacidade de enfrentar as causas do endividamento, melhorar a rentabilidade, ampliar a proteção contra riscos e garantir condições econômicas para a continuidade da produção.

O produtor rural precisa de resultados verificáveis, não apenas de novas declarações de entendimento entre lideranças políticas.

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