Blog do Lanza: O drama agora é gaúcho, mas o Corinthians precisa abrir o olho
Grêmio e Inter terminam juntos no Z4, Vasco respira e Corinthians liga o alerta em uma briga contra a queda que promete fortes emoções.
Por LanzaColunistaPublicado em 21/09/2026, 11:15Atualizado em 21/09/2026, 11:15

O Campeonato Brasileiro entrou naquela fase em que olhar apenas para quem ocupa o Z4 pode ser uma armadilha. Com dez rodadas pela frente para boa parte dos clubes, uma sequência de duas vitórias pode mudar completamente o cenário. Da mesma maneira, três ou quatro tropeços podem transformar uma campanha aparentemente tranquila em desespero.
E a 28ª rodada deixou isso bastante claro.
Pela primeira vez nesta edição, Grêmio e Internacional terminaram uma rodada juntos na zona de rebaixamento. O Tricolor aparece em 17º, com 29 pontos, enquanto o Colorado é o 18º, com 28. Abaixo deles estão Remo, com 23, e Chapecoense, com 18.
O futebol gaúcho entrou definitivamente em estado de alerta.
Grêmio: um empate que vale mais do que parece
Olhando simplesmente para a tabela, empatar em casa quando se está lutando contra o rebaixamento dificilmente pode ser considerado bom negócio.
Mas é preciso assistir ao jogo.
O Grêmio enfrentou um Palmeiras que briga pelo título e produziu futebol suficiente para sair de Porto Alegre com os três pontos. O time paulista criou oportunidades em sequência e transformou Weverton no personagem da partida.
Por isso, aquele 0 a 0 precisa ser colocado em perspectiva.
Se para o Palmeiras ficaram dois pontos pelo caminho, para o Grêmio ficou um ponto arrancado em uma partida na qual poderia perfeitamente ter saído derrotado. Na luta contra o rebaixamento, sobreviver aos jogos ruins — ou àqueles em que o adversário é amplamente superior — também faz parte da campanha.

Só que Weverton não poderá operar milagres toda rodada.
O Grêmio precisa produzir mais. Precisa vencer. E, principalmente, precisa entender rapidamente que sua camisa e sua história não acrescentam um único ponto à tabela.
O Z4 não respeita tradição.
Internacional: quando a crise cobra a conta
Se o Grêmio conseguiu ao menos acrescentar um ponto, o Internacional terminou a rodada ainda mais pressionado.
A derrota por 1 a 0 para o São Paulo, no MorumBis, manteve o Colorado com 28 pontos e na 18ª posição. Calleri marcou, de pênalti, o único gol da partida.

A consequência veio rapidamente.
Paulo Pezzolano foi demitido. O próprio Internacional confirmou no domingo o encerramento do vínculo com o treinador e sua comissão técnica.
Trocar o treinador pode produzir uma resposta imediata. Às vezes produz.
Mas seria simplista imaginar que o problema colorado estava apenas no banco.
O Internacional chegou à 28ª rodada dentro da zona de rebaixamento porque acumulou problemas durante o campeonato. Agora terá de encontrar soluções com o relógio correndo e com a pressão aumentando a cada partida.
E existe algo ainda mais cruel nessa história.
O próximo adversário do Inter no Brasileiro é justamente o Corinthians.
Ou seja: teremos um confronto direto entre um time que já está no Z4 e outro que começa perigosamente a olhar para ele.
Corinthians: o sinal de alerta já virou sirene
Talvez nenhum clube fora da zona de rebaixamento tenha terminado a rodada tão preocupado quanto o Corinthians.
A derrota por 3 a 1 para o Fluminense, dentro da Neo Química Arena, foi a sexta consecutiva do Timão no Campeonato Brasileiro. A equipe estacionou nos 32 pontos, quatro acima do Grêmio.

Seis derrotas consecutivas.
Nesse momento, pouco importa o tamanho da torcida, a qualidade individual de alguns jogadores ou aquilo que o time imaginava disputar meses atrás.
A realidade mudou.
O Corinthians está brigando contra o rebaixamento.
Pode até não estar entre os quatro últimos neste momento, mas a distância já é pequena demais para qualquer discurso diferente.
E há outro dado preocupante: foram quatro derrotas consecutivas dentro da Neo Química Arena, a pior sequência do clube no estádio desde sua inauguração.
Fernando Diniz continua no cargo. A diretoria decidiu bancar o treinador, inclusive após manifestações de apoio de jogadores do elenco.
Agora essa confiança precisa virar ponto.
Porque futebol não espera.
E o Corinthians voltará justamente contra o Internacional. Para quem vencer, pode representar o início de uma reação. Para quem perder, a crise ficará ainda maior.
Vasco: cinco gols para voltar a respirar
Enquanto alguns afundaram, o Vasco finalmente colocou a cabeça para fora d'água.
E não foi discretamente.
O 5 a 0 sobre o Coritiba, em São Januário, foi muito mais do que três pontos. Facundo Colidio, Bruno Duarte, Alan Lescano, Andrés Gómez e Ramon Rique marcaram na goleada que tirou o Cruz-Maltino da zona de rebaixamento.

O Vasco chegou aos 31 pontos e ganhou aquilo que qualquer equipe nessa situação mais precisa: confiança.
Mas ninguém em São Januário deveria interpretar a goleada como missão cumprida.
É apenas o começo da reação.
A distância para o Z4 continua curta, e a luta deve acompanhar o clube por muitas rodadas. A diferença é que agora existe uma demonstração concreta de que o time pode reagir.
Duas vagas parecem definidas. E as outras duas?
É claro que a matemática ainda não decretou nada. Mas opinião também faz parte deste espaço, e, para este colunista, Remo e Chapecoense já estão rebaixados.
O Remo tem 23 pontos. A Chapecoense, apenas 18. Mais preocupante que a pontuação é o cenário: além de precisarem reagir, os dois dependem de uma combinação de tropeços de vários adversários que hoje estão à frente.
Milagre existe no futebol. Mas não dá para construir análise contando com ele.
Por isso, considero que a verdadeira disputa contra o rebaixamento neste momento é por duas vagas.
E aí a conversa fica muito mais pesada.
Grêmio, Internacional, Vasco, Mirassol, Corinthians e Vitória estão separados por apenas quatro pontos. Há ainda diferenças no número de partidas disputadas, o que deixa qualquer fotografia da tabela sujeita a mudanças rápidas.
É nesse grupo que está a batalha.
O Vasco ganhou enorme sobrevida com os 5 a 0 sobre o Coritiba. O Grêmio sobreviveu ao Palmeiras graças a uma atuação monumental de Weverton. O Internacional demitiu Paulo Pezzolano tentando provocar uma reação. E o Corinthians, depois de seis derrotas consecutivas, conseguiu transformar em poucas semanas uma situação relativamente confortável em motivo real de preocupação.
E existe algo fascinante — e cruel — nos pontos corridos: ninguém precisa entrar no Z4 para perceber que está brigando contra ele.
Quando a diferença cai para três ou quatro pontos, cada rodada muda tudo.
Uma vitória pode fazer um clube saltar posições e respirar. Duas derrotas podem colocá-lo dentro da zona de rebaixamento.
Por isso, esqueça o tamanho das camisas.
Esqueça quem disputou Libertadores, quem começou o ano falando em título ou quem possui elenco mais caro.
Daqui para frente, a pergunta para todos eles é muito mais simples:
quem vai conseguir sobreviver?
Porque, na minha visão, Remo e Chapecoense já reservaram duas passagens para a Série B de 2027.
As outras duas ainda estão sendo disputadas.
E depois desta rodada, Grêmio, Internacional e Corinthians mostraram que ninguém deveria se considerar grande demais para ocupar uma delas.
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